terça-feira, 15 de setembro de 2009

Oi, eu sou Helena!

Pois é, eu sempre gostei de novela. E não que precise, mas tenho várias justificativas para tal. Cresci assistindo a folhetins com a minha mãe. Clássicos da literatura brasileira como Ninho das Serpentes, Dona Beija, Roque Santeiro, Vale Tudo, etc. Pra mim era tudo o máximo, tramas intrigantes, trillers de suspense e histórias de amor proibidas. Todos bons exemplos de uma honesta expressão literária em que nós, brasileiros, somos fodas. Pronto, chega de justificativas.

Daí que ontem estreou na Vênus Platinada a nova novela do Maneco. E daí, né? Essa é só mais uma novela tocando bossa nova no Leblon com diálogos pobres porém, ricos em clichês. Sim, é. Mas com uma diferença que pra mim, é deveras importante: Pela primeira vez na história de merda desse país, temos numa novela, uma protagonista negra.

E mais que isso. Uma protagonista negra que não é escrava. Fodam-se todos que odeiam novelas, todos que odeiam o Manuel Carlos, e mais ainda, todos que odeiam os negros. Eu tô MUITO feliz que uma atriz negra tenha conseguido sair da cozinha da Vera Fischer para representar uma top model internacional linda e de cabelo ruim!

Eu cresci me espelhando em modelos inatingíveis. Loiras, brancas, lisas e lindas. Com as quais eu jamais ia parecer. (Deus, como eu desejei um franjão índio!) Levei 29 anos para entender que não havia NADA de errado com o meu cabelo e que sim, ele é bonito, saudável e é MEU!

E agora, com a super bonita da Taís Araújo no horário nobre, minhas sobrinhas vão ter a chance de ver que não há nada de errado com elas bem mais cedo do que eu. Ou melhor, talvez elas nunca cheguem a pensar que há algo de errado com a aparência delas. Que apenas vivemos num mundo onde as pessoas são diferentes e há espaço para todos os tipos de beleza. Mesmo que fora de casa.

Te dedico, Maneco!

Up date.: galera, eu sei que a Taís já foi protagonista da Xica da Silva e da Cor do Pecado. Mas ambos papéis eram baseados em estereótipos negros. O que quis dizer é que pela primeira vez a atriz negra saiu da cozinha e da senzala. A Helena da Taís é rica, linda, internacional. A pretinha tá por cima da carne seca como diria minha falecida vó, que adoraria ver pretos no poder.