quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

100 anos de perdão

Tava aqui sem dormir pensando pela milésima vez desde sexta na seqüência dos fatos descritos no B.O. O cruzamento, os caras vindo, a arma apontada. E por mais que eu reveja o filme, sem poder evitar os se nãos, nada muda. E eu abro o olho e percebo que continuo aqui, inteira, saudável e isso é o que de fato importa. E é! Não tenho dúvidas.

Mas ainda assim fico tentando entender o que nos leva a achar que podemos tirar dos outros aquilo que os pertence de fato e de direito. Seja a tranqüilidade, a paz de espírito, a dignidade, o humor, o amor ou o telefone celular. Em que momento o juízo aceita e o superego se cala. A falta de seja lá o que for não justifica.

Lógico, que o mané que levou minha bolsa não tem a menor idéia do valor que cada item lá tinha pra mim. Pela história, pela subjetividade que não se recupera. Mas menos ainda ele é capaz de imaginar a benção do que deixou ficar.

Mas no fim das contas todos nós roubamos. Agressivamente, sorrateiramente, disfarçadamente. Mas roubamos. Apropriamos-nos do alheio, invadimos sem se quer questionar a legitimidade do ato. E a grande ironia é que também somos roubados.

Portanto, 100 anos de perdão.

11 comentários:

Reicla disse...

Ai eu já passei por isso tbm,assalto a mão armada.
Tbm fiquei repassando as cenas dezenas de vezes, não da pra não ficar com muita raiva e amaldiçoar o mundo.Mas bem se o que não levaram é o bem mais precioso, então ficamos aliviados.
um bom dia ora vc!

.duas doses de desdém disse...

Aixi, sinto muito...eu nunca fui assaltada, bem...digamos...não dessa forma aí.

Beijo!!! :)

Ma disse...

Lara, adorei seu texto! FODA!
Espero que quando acontecer comigo eu tenha a mesma sensatez.

Beijos

bjomeliga disse...

O "vão os anéis, ficam os dedos" é bastante clichê. Claro que qualquer idiota prefere perder o celular e todas aquelas coisas subjetivamente importantes do que a própria vida. Fato indiscutível.
Mas, a última parte do texto é de realmente de se pensar. Porque a gente se apropria do alheio de uma forma tão sutil, que nem percebe. E nem acha que que tá fazendo mal.

Danielle disse...

É isso aí, gata, bola pra frente. Polianismo à parte, admiro a capacidade de tirar o melhor de cada situação. Por isso que a gente se entende, né! =D
bjoka
Dani Barg

Anônimo disse...

Larry, te admiro cada dia mais... fica com Deus! Bjs. Patite.

Carla disse...

O seu post me fez pensar nas minhas cagadas, no que tiro das pessoas, mesmo sem querer as vezes. Acho que todos fazemos isso, seja voluntário ou não.
E, claro, no que tiram de mim também da mesma forma.
"É preciso mudar, Carlota". Farei a minha parte. Que o mundo ao redor faça o mesmo.

Lady N. disse...

Oi Lara. Seguinte: Você ganhou um prêmio. De mim. Há alguns dias atrás, só que eu esqueci de avisar.. hehe Agora estou avisando.
Para ver é só ir ali no meu blog.
;)
Kiss

Elaine disse...

difícil não repassar a cena diversas vezes, pensando na inúmera possibilidade de desfechos daquilo que já estava ruim.

bate a indignação de perceber a sua fragilidade diante dessa situação em que levarem seus bens materiais é o menor dos males.

além do valor sentimental das coisas - que estavam juntos a você por motivos óbvios -, o mais triste é perder o prazer de andar em trechos de ruas que eram considerados até então como "chegar em casa", e ter de viver com frio na espinha a cada movimento na rua.

Elaine disse...

esse teclado me deu fome de s

gremunhoz disse...

Amada, é por vc perdoar, que tudo será sempre reposto e provido. A bênção do que ficou, VOCÊ, isso é realmente o que importa. Pra cada alface, banana, maçã, pãozinho, batata, pepino... que deixo estragar, lá vem um menino dizendo "tia, me dá um bolo de chocolate". E eu digo SIM! É a vida, é a LEI. Por isso temos que ter cuidado com a bruta flor do querer. Achei interessante a seqüência dos posts. PASSOU. Não volta mais, minha linda.