Sábado, 18 de Julho de 2009

Quando a minha mãe vai embora

Eu já não moro com os meus pais há mais de 10 anos. Sai da casa deles pra morar em outro estado. Aquela velha história do filho que vai estudar e acaba não voltando porque decidiu cuidar da própria vida em outro canto e tals.

Mas mesmo estando há séculos longe dos meus pais, vendo-os no máximo umas 4 vezes ao ano dependendo do volume de feriados e de grana, eu choro quando minha mãe vai embora.

Geralmente ela vem me visitar em julho. E como boa mineira que é fica no máximo uma semana sempre bradando que "visita é igual peixe, se levar muito tempo fede". Mas esse pouco tempo que ela fica é sempre suficiente pra eu relembrar como é bom ter a mãe por perto e a falta que ela faz. Em alguns dias ela ajeita várias coisas que eu estava protelando, elogia, dá broncas, reclama, consola e se preocupa. Como se jamais você tivesse saído da casa dela. E na verdade, não saiu mesmo.

Resultado: toda vez que minha ela parte de volta pro Goiás eu fico com um nó entupindo a garganta. E aí leva um tempinho pra vida voltar ao pique de sempre.
A minha porção filha agradece a visita.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Tá superestimando, né?

Existem algumas coisas nessa vida que são superestimadas. A democracia, a sinceridade, o sexo e a informação, são bons exemplos. E apesar de ser contra justificar opiniões, vou fazer antes que me batam na cara.

Democracia: nem toda escolha coletiva é legal. Por exemplo, você quer juntar os amigos. Sugere uma saída pra jantar e pede que escolham o lugar. Em segundos sua caixa de e-mail tem pelo menos 40 mensagens, e nada foi decidido. O Zezinho não come carne, a Pedrinha só come carne, Mariazinha não tem carro, Joãozinho não tem dinheiro. E você ficou sem jantar. O lance aqui é: galere, tô indo jantar no japonês quem tiver afim cola no bonde. Ditadura na veia.

Sinceridade: deus me livre e guarde da má hora de ter que ouvir tudo o que pensam de mim e mais ainda de ter que dizer tudo que penso dos outros para os outros. Oi, o que você acha de mim? Um mané, incompetente e ainda por cima arrogante. E de mim? Uma vaca aproveitadora e burra, mas que adora fazer a culta. NOT! A mentira e a omissão proporcionam um convívio social mais saudável.

Sexo: jura POR sua genitália que você quer transar a qualquer momento e com qualquer pessoa? Se sim, ok, você é doente e é melhor se tratar. Caso contrário há de convir comigo que tem muitos momentos em que é muito melhor fazer qualquer outra coisa do que ir pra cama com um dito cujo. Pense nisso.

Informação: pois é, de repente acordamos na era da informação, quando o que importa mesmo é quantos links você tem cadastrados no seu Reader. Não interessa o que você vai fazer com tanta coisa, mas tem que saber! Todo mundo tudo sabe, tudo lê, tudo vê. É chique ser devorador de blogs, livros, revistas e jornais. (Mas pra ser pró mesmo tem que ser early adopter, beta tester, etc) Agora o porque, eu não sei. Metade dessa informação recebida (e recebida antes) se quer é digerida. Porque, né? Logo menos, tem mais pra engolir. Logo, que vantagem Maria leva em saber tudo e não entender nada?

Domingo, 12 de Julho de 2009

Sol, mãe e letras

Oi Puf, que saudade! Faz tempo que não sento aqui pra lamentar, compartilhar teorias inúteis e piadas ruins, né? Isso porque ando meio que evitando contato com meu cérebro maluco. Tem muita coisa acontecendo aqui no mundo que dizem ser real. Tá difícil concatenar.

Mas no meio desse malabares sempre há um respiro. Algo que faça valer a pena. E por causa de um desses momentos em menos de 24h eu me emocionei duas vezes. De pura alegria de viver.

Uma foi assistindo ao show micareta do Robertão. Porque né? Rei sem peru da #fail no calendário. Mas ok. O encontro emocionado entre ele e Tremendão me fez chorar e lembrar de quantos amigos queridos eu tenho e pra quantas pessoas eu cantaria aquele verso "não preciso nem dizer tudo isso que eu te digo, mas é muito bom saber que você é meu amigo".

E foi também por outros versos a segunda rodada. No museu da Lingua Portuguesa, mais especificamente na Praça da Língua, com a parte maior de mim sentada do meu lado e muitos versos nas paredes. O melhor foi ouvir o Pessoa:

Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.

Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lado céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor

Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.


Toma essa merenda!

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Tostines*

Ando tão pouco inspirada nos últimos dias que não consegui escrever nada. Pelo menos nada que valesse a pena compartilhar. Sei lá, talvez seja apenas ressaca de uma fase reclamenta. Reclamei tanto, mas tanto, que agora fiquei meio sem ter o que pontuar.

Mas agora entrei de novo numa fase ok. Tá tudo certo, onde deveria estar. E com viés de alta. E passada a má fase parei pra pensar que na verdade tudo na vida sempre está onde deve estar. Os chatos a sua volta se mantém chatos, os FDPs continuam FDPs e os bacanas idem, mas com esses é fácil lidar (quase) sempre. E você normalmente vive bem nesse ecossistema.

Mas um belo dia você dorme com a bunda descoberta e passa a agir como se tudo fosse uma grande cilada milimetricamente armada única e exclusivamente para te foder. Ah, e você se fode. E como se fode! Sem saber se tá se fodendo porque é fodido ou se é fodido porque tá se fodendo. No melhor estilo Tostines, a única coisa que você sabe é que é fresquinho.

Mas na verdade não é nada disso. Você dificilmente se fode mais do que já se fodeu outrora. A vida de qualquer bípede tende a ser básica, salvo uma ou outra tragédia que pode nos pegar de surpresa (Deus nos livre das más horas!). O Twitter tá aí pra nos provar isso.

A maioria de nós não coleciona grandes feitos ou grandes decepções (É aí que o memorável faz sentido). E a maioria de nós tem porções de alegrias e realizações pra compartilhar mais ou menos na mesma medida. Tudo bem clichesento mesmo! Fazer o quê? Tá tudo certo.

Já pensou se o mundo fosse feito só de Giseles Bünchueins e Elvis? Ia dar na mesma só que sem ícones inalcançáveis para ficarmos nos comparando. Por isso, um pouco de histeria é necessário pra sair do marasmo e sentir frio, calor, dor, euforia, borboletas no estômago e a falta de chão sob os pés.

É, essa vida é louca, ou talvez seja eu. Aliás, é bem provável que seja eu.

*

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Enquanto isso, no Gtalk

Amiga: afe
e esse cara
não pega nem gripe
q saco!

Eu:
pois é!
ou se pega
é gripe suina né?

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Bota pra subir

Passa da meia noite, tá frio bagarai aqui em SP e foi exatamente nesse contexto que uma bigorna Acme caiu na minha cabeça. Pois é, depois de alguns dias tristes que viraram semanas, que virou fase e tava virando estilo de vida, eu me liguei: em que momento eu resolvi virar uma cuzona?

Foi como rebobinar uma fita e ver de novo um filme chato com roteiro tirado de um tango argentino. E esse é o ponto! Eu amo tango, mas nunca quis viver um. E aí foi só debulhar o rosário mentalmente.

Fácil nunca foi, mas ruim também não é. O placar continua a favor e se olhar com carinho, nunca esteve melhor! A armadilha, pra variar, é volta e meia esquecer isso e garrar no VDM life style: Tudo dá errado porque só reclamo ou só reclamo porque tudo dá errado? NOT!

Não, não vou acordar menos coração peludinho amanhã. Muito menos sair rindo com os dentes de baixo pra todo mundo (não fui abduzida), mas me espera minha mãe que eu to voltando!

Até porque o rancor sem piada é mágoa pesada. Dói no corpo, reflete na vida e sobe pra alma. E entrar no looping de pisar na própria janta é só burrice pra se matar de fome. E nem de fome eu gosto!

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

04:18

Fazer o que quando tudo o que se quer é que não amanheça. Ou que pelo menos se esqueça de que é noite na sua acabeça. Rimas pobres de espírito. Sonhos mais próximos de pesadelos.

Nada basta, nada supre. Terapia e fugas são só exercícios. Chocar, a essa altura, não causa nem impacto. Soa até infantil. Fazer o quê? O que fortaleceu, não matou.

E se não matou é porque não era para morrer. Mas até aí morrer é só consequência de qualquer viver. Para começar é preciso acabar. E se é pra viver eu vivo, se é pra brigar eu brigo, se é para acabar eu acabo.

E nessa prova, fujo e me arrependo no próximo passo e depois de tudo, esculacho. Como se a mim não pertencesse. Como se não matasse a sede, a escacez de uma vida da qual eu não desisto. Simplesmente por saber que desistir não me livra nada, nem da culpa de ter escolhido o que escolhi. Só o persistir que é supervalorizado.