quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

100 anos de perdão

Tava aqui sem dormir pensando pela milésima vez desde sexta na seqüência dos fatos descritos no B.O. O cruzamento, os caras vindo, a arma apontada. E por mais que eu reveja o filme, sem poder evitar os se nãos, nada muda. E eu abro o olho e percebo que continuo aqui, inteira, saudável e isso é o que de fato importa. E é! Não tenho dúvidas.

Mas ainda assim fico tentando entender o que nos leva a achar que podemos tirar dos outros aquilo que os pertence de fato e de direito. Seja a tranqüilidade, a paz de espírito, a dignidade, o humor, o amor ou o telefone celular. Em que momento o juízo aceita e o superego se cala. A falta de seja lá o que for não justifica.

Lógico, que o mané que levou minha bolsa não tem a menor idéia do valor que cada item lá tinha pra mim. Pela história, pela subjetividade que não se recupera. Mas menos ainda ele é capaz de imaginar a benção do que deixou ficar.

Mas no fim das contas todos nós roubamos. Agressivamente, sorrateiramente, disfarçadamente. Mas roubamos. Apropriamos-nos do alheio, invadimos sem se quer questionar a legitimidade do ato. E a grande ironia é que também somos roubados.

Portanto, 100 anos de perdão.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando o máximo

Eu maximizo. Maximizo desejos, frustrações, alegrias e momentos. Quando quero, quero muito e quanto não, mais ainda. Tanto que invento queres e de tanto querê-los faço deles meus inimigos. E então volto a maximizar, dessa vez a decepção de não tê-los alcançado.

É como se esquecesse que entre o ideal e o tangível existissse uma equação apelidada tempo. Esse tal que por vezes também se veste de algoz. Severo, indomável, lento e ordinário. Que nas horas mais inadequadas sai em disparada. Por pura má vontade. Mas se há uma ferida, paraliza e angustia até fazer de mim minha própria vítima. Ah como eu o odeio e ao mesmo tempo o venero.

E sigo por ele e para ele. Sofrendo honestamente. Não sei se por ansiedade, vontade ou vaidade. Ou tudo isso junto. E sofro maximizadamente. Na espera digna de que algo aconteça e algo sempre acontece. E nesse instante, em que a idéia passa da alma e ilusioriamente sai de si para fora, é possível perceber que o máximo foi feito.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Astolfo, o macaco bananeiro

Era uma vez o Macaco Astolfo que vivia na Mata Atlântica. Uma floresta que outrora fora repleta de bananeiras, que com o tempo e o desmatamento foram desaparecendo. Por pura sorte a região em que Astolfo vivia continuava com uma quantidade razoável de bananeiras. E diversos macacos passavam por ali para comer bananas a vontade.

Mas Astolfo, que não era bobo, teve a brilhante idéia de se apropriar da plantação. Inventou um tal de loteamento e uma tal de escritura. Logo, pensou "se a terra é minha as bananas também são". E empreendedor como ele só, fez um curso no Sebrae e montou o único hipermercado de bananas da cercania. Tinha pencas para saciar todos os gostos da macacada faminta.

Não precisa ser analista de mercado para prever o que aconteceu. Macacos não têm dinheiro e Astolfo se fodeu!

Moral da história: Não adianta ter sorte, boas idéias, ser esperto, ter senso de oportunidade, bom preço e se preparar para a competição mercadológica. Tá no mundo, vai se foder!