segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Na nóia do Blip

Eu nóio. Sim, quem me conhece um pouco sabe. Quando eu entro numas com alguma coisa é foda. Eu fico naquilo há de eterno. Isso vale pra quase tudo: comidas, roupas, baladas, objetos, tecnologias...

Daí que agora a minha nóia se chama Blip*. É tipo um Twitter, só que você pode mandar além da micro mensagem, uma música. Gente, é tipo a melhor invenção depois da roda. Viu! Não falei que eu tava na nóia?

É que eu sempre achei que a vida tem trilha sonora. E quando conheci a Lady ela me tirou de anos de solidão mental batizando esse problema de taguear músicas na cabeça de Jukebox do Inferno.

E agora, o Blip me faz ficar emocionada. Porque é a ferramenta que precisava para exercitar a Jukebox do inferno na prática e na íntegra. Tipo, você pensa na música vai lá blipa. Se for boa fica ouvindo forever, se for ruim ela sai da sua cabeça para a virtualidade. É incrível!

Sem contar que você vai juntando listeners, que são pessoas que gostam de ouvir e de blipar coisas afins. E isso tb mudou um aspecto da minha vida: fazer amigos online. Eu nunca tinha feito isso. Mas com o Blip é como se as pessoas andassem com uma placa descrevendo o seu perfil na rua. Têm vários @'s na minha vida que até um mês não existiam. E como se viessem com pedigree.

Se eu encontrar o cara que inventou isso eu peço em casamento e vou vender Yakult e chapeado pra sustentar o gênio. Te dedico Bliper number 1!

*Se você quer saber o que é Blip dá uma olha da no menu ao lado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Fail

Esse não é pra ser um texto negativista, nem pessimista. Mas já notou como as coisas às vezes simplesmente dão errado? Você fez tudo certo, seguiu a cartilha à risca, mas na hora H dá merda.

Hoje eu acordei, era para ser emenda de feriado, mas eu tive que trabalhar. Ok, faz parte, nem todo dia tem sol, nem todo cartão é de crédito e nem toda sexta vira emenda. É assim que a vida funciona.

E eu sou uma cretina Pollyana, que sempre acha que tudo vai dar certo. Mas a chance de dar errado é real e às vezes acontece. Digo isso porque hoje, depois de trampar no mode pós feriado eu fui cortar o cabelo. Fail! Acho que exagerei na tosa e que ficou uma merda. Ah, todo mundo sente isso depois de um corte de cabelo. É, sente. Mas tem mais.

Tirei um cochilinho ainda inconformada com o cabelo, daí acordei e fui assuntar sobre a balada. Decidi ficar em casa. Eu tô pobre o suficiente, tenho aula de direção amanhã e o Telecine tá free essa semana. Daí que resolvi cozinhar algo realmente gostoso só pra mim. Segui para o Lugar de Gente Feliz, comprei os ingredientes e cheguei animada pra encarar o fogão.

Ia fazer uma massa. IA! Coloquei a água pra ferver e fui pro quarto. Fail! O gás acabou. Numa sexta à noite. Acabei na lasanha congelada de microondas.

E é assim, às vezes você quer uma sexta de emenda e não vai ter. Outras você vai querer um bolonhesa e o gás vai acabar. E tem momentos que você vai querer alguém e esse alguém vai estar ocupado de mais pra perceber. Mas fazer o quê? É só uma questão de probabilidade...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vou de táxi

Se você mora em São Paulo, não tem carro e morre de mavon como eu, deve andar muito de táxi. Uma coisa Nova York só que sem glamour e pagando mais caro. E se você anda muito de táxi já deve ter se ligado que existe um universo paralelo nesse meio de transporte.

Uma vez dentro de um táxi tudo pode acontecer. E acontece! Eu já vivi situações de toda ordem. Fui cantada por um taxista na volta da balada em plena 23 de maio, às 4h da madrugada, no pior estilo dá ou desce. (Nesse caso é mata ou morre) Eu já me imaginei degolando o FDP, chutando pela porta e fugindo com o carro, claro! Porque descer na 23 naquela hora é uma idéia ruim!

Teve também uma vez que peguei o mesmo táxi duas vezes sem querer. Mas o bom foi que o taxista lembrou da minha palhaça e de quebra me devolveu um avental de garçon que eu e uma amiga tínhamos esquecido no carro da vez anterior. (Nesse dia contamos 15 piadas pra ele em troca de desconto. Funcionou). Né, Ladybug?

Sem contar aquela que tava eu e uma amiga (né, Ladybug?) num taxão quando encostou do lado um Voyage trabalhado no Durepox com duas minas e um cara dando um beijo triplo. O cara era pior que apanhar na rua. Mas as duas ficavam olhando pra gente e fazendo cara de vantagem. Eu não sei o que invejamos mais na suruba pobre: o careca disputadaço, o beijo triplo ou o Voyagera furta cor. Sem contar a observação pertinente do taxista sobre a cena: aaaaaah isso tá me cheirando a séquiço!

E como a coletânea táxi driver mundo bizarro não acaba nunca, hoje fui buscar minha TV no conserto e peguei um na volta. O motorista era do tipo que faz amizade. Um dos mais chatos, por sinal.

Daí que depois de compartilhar todos os problemas conjugais da vida, ele resolve me apresentar clipes de zouk* pelo celular. Pois é, ele me obrigou a ver quase quatro. E ainda fazendo o alternativo que não ouve rádio porque não toca nada que presta.

"Conhece o Puff Daddy? Então, esse cara é o Puff Daddy da França". Ó, que vantagem! Minha sorte, se é que existe alguma, foi que no começo do quarto clipe cheguei em casa.

*zouk: uma espécie de lambada francesa das Antilhas. Tem gente que vai querer me bater, né Dani?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um texto clichê sobre a morte, ou seria sobre a vida?

O senso comum diz que a vida é feita de momentos. E clichês a dentro, eu concordo que no fim das contas é só isso que temos mesmo. Uma sucessão de acontecimentos fracionados e digeridos. Sejam eles bons ou ruins.

Isso veio à tona porque essa semana perdi minha vó. De todos os uber 80 da família ela era a última sobrevivente. O elo que restava com a velha guarda Fabiano Januário. E apesar de não ter tido muito contato com ela (fui criada em outro estado, leia-se há quase mil km de distância) esse foi um momento ruim. E o pior desse momento, acredite, não é a morte em si.

Aliás, acho que o que torna a perda tão sofrida não é simplesmente a partida, mas sim a certeza absoluta de que novos momentos não virão e que a possibilidade de fazer diferente já não mais existe. E o que sobra são tão somente as lembranças do que foi vivido.

E talvez, o que mais me aflija em toda e qualquer partida é o medo. Não o medo de ficar sem ou de nunca mais encontrar. Mas o medo de não ter doado o suficiente. De não ter gozado plenamente. De não vivido intensamente, enquanto era possível.

Normalmente, vivo tragada pela loucura da cidade. E os dias passam sem que eu veja. Uma segunda é sempre mais uma entre tantas já vividas. Às vezes opressora, outras bem menos.

Mas a real é que esse texto clichezento sobre a morte não passa de uma forma tosca de me redimir. De abrir a janela da consciência e gritar para mim mesma que cada dia longe de alguém que eu amo tem um preço. E é alto. Alto o suficiente para levantar dúvidas sobre as escolhas feitas.

E com a certeza de não ter de quem cobrar o resultado das minhas própias escolhas, só me resta abraçá-las e ir até o fim tentando errar menos.

E a Dona Carmem, aquela velhinha sábia que fazia brioche recheado, torta de nozes e as melhores balas de côco que comi na vida, me deu mais uma lição.