segunda-feira, 30 de abril de 2007

O inverno é o meu inferno

Esse longo desabafo deve ter bem uns 3 anos. Ele foi escrito num dia de muito rancor climático. É grande, mas é tudo o que sinto na pele quando a temperatura cai. E em homenagem a essa recente baixa (que já influencia no meu humor) resolvir dividí-lo com vocês...Vai ter gente que vai gostar e quem vai querer dar na minha cara. Mas a vida é isso, um emaranhado de discordâncias...

Segue:

Não acredito em coincidências e sim em sincronicidade. Não é por acaso que os nomes são praticamente iguais, com exceção de uma única letra. Para mim a idéia de inferno é bem ao contrário do que se prega por aí. Do meu ponto de vista "os quintos" está mais próximo do Álasca ou até mesmo de Noruega. O diabo poderia bem ser o Abominável Homem das Neves e, em vez de sermos cozidos em caldeirões, seríamos mantidos em piscinas bem geladinhas por todo o sempre. E não morreríamos de frio porque simplesmente já estaríamos mortos! Não é coerente!?

Nada contra um friozinho, um vinhozinho, uma lareira, um sexozinho debaixo das cobertas, fondue e coisas do gênero. Desde que eu estivesse na montanha em um chalé com sistema de calefação, de frente para uma lareira romântica, tomando um vinho da melhor safra, naquele estágio de letargia entre o sono e o despertar.

Agora eu pergunto: Você está nas montanhas??? Pois é, eu também não!
Para ser mais específica eu estou em São Paulo (isso já explica parte da minha revolta) na frente do micro, lutando contra a natureza para que meus dedos não congelem e eu consiga digitar esse desabafo até o fim. Estou aqui curtindo esse clima gélido acompanhado de uma chuvinha insuportável que já dura mais de 24h!

É isso aí. Definitivamente eu detesto o inverno! Eu entendo que esse clima é essencial para natureza. É a fase da reclusão, onde as espécies se recolhem e se preparam para cumprir o ciclo da reprodução, produção e colheita. Acontece que não moramos mais em cavernas e no inverno temos que sair dos nossos abrigos para trabalhar. Pelo menos a maioria de nós tem! Alguém por favor, avise aos responsáveis pelas alterações climáticas que não é possível viver assim.

Hoje foi um prazer quase celestial levantar da cama às 7h da madrugada. Tudo que estava do lado de fora do meu edredom congelou. A toalha, as peças íntimas, a calça e as blusas pareciam saídas da máquina de lavar. Os 10 segundos entre o chuveiro e a tolha parecem 10 anos.

E o café da manhã? Quando abri a geladeira para pegar o Ades, nossa, achei que fosse desencarnar. Ah, aliás, em hipótese alguma tentem aquecer o leite de soja.

Essa é outra característica adorável do inverno: alimentos leves não combinam com o frio. Imagina só que delícia, acordar cedo nesse climinha ameno e devorar uma salada de frutas geladinha heim?! Você mal consegue segurar a taça sem sentir dor. Logo, para evitar a hipotermia você passa a ingerir compulsivamente alimentos quentes e por conseqüência extremamente calóricos. Essa é umas das únicas formas de manter seu organismo trabalhando, produzindo calor e claro, acumulando calorias. Como eu invejo os ursos!

Tudo bem, eu admito que rola uma implicância, diria até uma má vontade da minha parte em relação a esse clima, mas eu explico. Além de ter ascendência africana, eu nasci e fui criada no centro-oeste do país, em meio ao clima tropical de cerrado com temperatura média de 28º. No verão temos quase 40º à sombra! Sinceramente para mim é uma tortura militar sentir frio. Entenderam a dimensão do meu sofrimento? Até a minha alma está com frio.

Só resta-me a resignação. Sonhar com a possibilidade de ir para casa dormir e acordar em meados de outubro quando o solstício sul entra em ação. Deus salve as toucas, as luvas, as meias calça fio 60 e os capuccinos!

;-)

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Dias perfeitos...

Depois de fazer uma ode ao ódio eu sinto que devo algo mais ameno para vocês. Por isso hoje, o post será sobre dias perfeitos. Você com certeza já viveu um!

O dia perfeito não acontece porque o céu está azul, o sol brilhando e a temperatura amena. Mas por uma conjunção do universo que, naquele período, fez com que as coisas se encaixassem para que você tivesse a certeza de que viver é muito bom.

Sei lá quais são seus parâmetros de perfeição. Pra mim é algo entre o cheiro da comida da minha mãe, as gargalhadas das minhas sobrinhas, uma pauta bem bacana, um abraço (daqueles que se encosta o plexo solar), o filme do Bob Esponja, uma cerveja gelada, um abacaxi doce, uma música...

Pode ser também aquele dia em que você sabe que se apaixonou por alguém ou que você foi naquele show imperdível. Ou quando você riu entre amigos até doer a barriga e a boca de uma piada que só vocês são capazes de achar graça.

Bom, seja qual forem seus ideais de perfeição, o que quero dizer com esse post mela cueca é: aproveite os bons momentos! Tá, eu sei que é clichê, mas são eles que fazem todo esse circo valer a pena.

E se divirtam no 1º de maio, quando irônicamente não trabalharemos!

E para comemorar a fofisse desta sexta-feira fria e chuvosa assistam a esse vídeo:

;-)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Pelo fim da DR online!

Ok, a Internet é incrível. Eu sou fã. Acho que aproxima as pessoas, facilita a comunicação entre elas...e blá, blá, blá. Mas tem um lado negativo que eu confirmei ontem entre amigos: A famosa DR online. Pra quem não sabe DR é a abreviação de Discussão de Relacionamento uma coisa que quem já viveu sabe que não é nada bom. Aliás, é uma das piores coisas que já inventaram em termos de relacionamentos humanos.

E quando a DR acontece virtualmente fica ainda pior! Isso porque e-mail e comunicadores instantâneos não têm recursos de voz (alguns até têm, mas poucas pessoas usam) o que deixa a interpretação do tom das palavras a cargo do receptor.

Como os interlocutores de uma DR já não estão lá muito amáveis, a coisa só pode dar errado. Porque antes de uma DR, tem sempre uma pendenga. Logo, as pessoas já vão para o papo pré dispostas a levarem tudo que vier para o lado negativo. Consequentemente, o que for dito vai ser mal interpretado. Sem contar que depois de clicar no send não tem como voltar atrás.

Por isso, sempre que puder (e quando não puder também), evite discutir qualquer coisa via MSN, Gtalk, e-mail e afins. Você só vai se desgastar e criar um problema maior ainda.

domingo, 22 de abril de 2007

Pratique o desapego

Posso dizer que uma boa parte da minha vida tem sido dedicada à prática do desapego. Sim, eu admito que tenho uma tendência a apegar-me. Seja a pessoas, a coisas e até mesmo a algumas sitiuações. Não sei porquê, mas quando vejo, tô lá tentando me agarrar com unhas e dentes a algo que já devia ter sido deixado para trás há séculos.

Sei lá, talvez faça parte da condição humana apegar-se. Porque no fundo nos faltam tantas respostas que acabamos nos fixando naquilo que nos parece ser mais garantido. Mas quem disse que essa garantia realmente existe?

Quem declamou que emprego é sinônimo de estabilidade finaceira ou que papel passado é o mesmo que viveram felizes para sempre? E quando descobrimos que não é sofremos taaaanto desnecessáriamente. Porque nos apegamos a ponto de achar que só existe aquilo. É meio parecido com a teoria do Jeans Velho.

Aí abraçamos os problemas antigos por puro medo de viver algo novo. E na balança mental maluca da nossa cabeça esses problemas velhos são como velhos amigos. Meio chatos, é claro. Mas conhecidos o suficiente para lidarmos "bem" com eles. Afe!

A verdade é que o novo assusta. Simplesmente porque que é desconhecido. E traz um combo de novos riscos, desafios e quebradas de cara. Mas também vem cheio de expectativas, aprendizado e coisas boas.

Então, faça como eu. Pratique, ou pelo menos tente, abraçar o desapego. Esse sim merece um abraço, quiçá até uma Coca (Light, é claro!)!

;-)

domingo, 15 de abril de 2007

Daqui pra frente

Ontem no Fantástico (Adoro quando a conversa começa assim. Pareço a minha vó querendo dar credibilidade ao assunto) foi lançado um quadro que pretende discutir os desafios de se ter vinte e poucos (ou muitos) anos. Um tema mais que batido e rebatido e que nas mãos do semanal global não deverá sair muito da superficialidade.

Não que eu me proponha a mergulhar nas profundeza desse mar sem fim. Mas confesso que a pauta me fez refletir. Na matéria a Fernanda Lima disse algo mais ou menos assim: "Somos adolescentes com um pouco mais de experiência ou jovens adultos cheios de expectativas?" Sei lá. Acho que oscilamos entre uma coisa e outra. Algo como "I dont wanna grow up!"

Pagar contas, assumir as próprias merdas, construir hoje para colher amanhã, virar gente grande e agir como tal... Num tenho idade para ter 28 anos! Às vezes me vejo com os mesmo conflitos dos 18! Como assim minha gente?

Mas a vida vai te empurrando morro acima. Enquanto isso as pessoas ao seu redor sempre parecendo tão seguras, certas do que querem hoje e de onde estarão daqui 30 anos (Na verdade todos sabemos que seremos torrados pelo aquecimento global, mas vamos pensar hipoteticamente), e você ali, conflitando!

Peeeeem! Mentira! Aposto o meu puf verde que eles também não sabem nada. E como você, também estão se mordendo de medo a cada escolha que são impelidos a fazer.

Mas a prezepada toda também tem lá suas vantagens. Nessa altura da vida você já pode dirigir, decidir a onde e com quem ir, gastar seu dinheiro com o que quiser e até resolver seus problemas sozinho. Você passa a se preocupar menos com o que os outros vão pensar e até deixa de se vestir como se sua honra na rodinha dependesse de uma camiseta do Ramones. Oh que beleza!

Sei lá o que o quadro do Fantástico, que inspirou o nome desse post, vai mostrar. Eu provavelmente não assistirei. Só sei que ter vinte poucos ou muitos anos é meio assustador e até inquisitório, em alguns momentos. Mas também é bom. Acaba sendo um misto de eu posso tudo com eu nada posso.

Posso abrir uma empresa, casar e ter filhos, virar DJ, mudar para Londres ou para uma comunidade hippie. Ser médico, jornalista, advogado, publicitário e, de quebra, salvar o mundo.

Desde que eu acorde cedo todo dia e trabalhe para pagar as contas!

;-)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Amanhã eu resolvo!

Às vezes queria conseguir não pensar. Tipo, apertar um botão e simplesmente desligar o cérebro. Não só esquecer (nisso eu sou boa, esqueço tudo!), mas apagar mesmo, dar um but, desconectar. Mesmo que fosse por uns 20 minutos, já seria o suficiente.

Já pensou? Alguém começa a te encher o saco e, como num passe de mágica, você se desliga. Enquanto a pessoa fala, fala, fala...Você se quer ouve ruídos, nem ecos, nem blá, blá, blá wiskas sache.

Ou então, antes de dormir. Naquele momento em que ficamos a sós com nossos pensamentos. Nessa hora, em que começamos a travar diálogos mentais com a nossa consciência ou com algum interlocutor imaginário que nos fez engolir palavras naquele dia, seria sensacional poder se desligar. !

Acho que os pensamentos, às vezes, parecem fantasmas que rondam nossa mente tirando nosso sono, nos atormentando com o que não poderá ser resolvido naquela hora.

Por isso acho que desligar para parar de pensar não é uma fuga. É só um: “Dá um tempo! Me deixa! Num quero saber disso, não agora! Amanhã eu resolvo”

E aí num outro dia, quando você puder agir, em vez de só perder o sono, eles voltam e você decide o que fazer. Não seria o máximo?

;-)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ficar para apagar a luz

Você já ficou para apagar a luz? Eu já! É isso mesmo que você está pensando. Imagine a seguinte situação. Você está num ambiente. Acompanhando de uma, duas, diversas pessoas e, de repente, todos resolvem ir embora e você fica, ali, com a missão de encerrar a festa, limpar tudo e apagar as luzes.

Nos relacionamentos também é assim. Nem sempre a coisa acaba em comum acordo e cada um vai para o seu lado. Não feliz, mas com a certeza de que fez a coisa certa.

Em algumas vezes, a sincronicidade não rola e uma das partes resolve ir embora mais cedo e deixar a luz para você apagar e fazer a limpeza do salão. É aí que o bicho começa a pegar.

Você se vê ali, parado, esperando a festa continuar. Mas que festa? Os integrantes da vida noturna se foram dormir. A banda parou de tocar, não tem mais música, nem comes e bebes. Só você, o chão sujo, inúmeros copos usados e cadeiras caídas esperando que alguém que os limpe.

E você, que queria loucamente que a festa continuasse, que a banda tocasse o bis, só pensa numa coisa: por que? Mas esse é ponto. Não existe porquês! E não tente acha-los. Isso vai te deixar amargo.

A verdade é que ficar para apagar a luz é muito ruim. Ter que limpar a sujeira alheia dói. Principalmente quando a promessa parecia ser a de fazer a faxina junto. Mas acontece. Você, com certeza, já deve ter deixado a luz acesa e sua sujeira para alguém limpar, mesmo que sem saber. Talvez porque tivesse horário para chegar ou só não tivesse assim tão disposto. Na real, a gente só percebe quando somos nós a desligar tudo e sobreviver ao escuro, sozinho, enfrentando o fim da festa.

Mas o bom disso tudo é que outras festas virão. E talvez você não fique para apagar as luzes. Ou melhor, ninguém queira que elas se apaguem...

;-)

terça-feira, 10 de abril de 2007

O Dia de Roupa Ruim

Faço questão de avisar logo de cara que esse será um texto mulherzisse. Talvez os meninos nem compreendam do que se trata, mas pode ser que eles, do alto da sua praticidade, entendam e até se identifiquem. Porque dia ruim todo ser humano tem.

Tem dias que você levanta da cama e até então, acredita que será um dia como outro qualquer. Muito trabalho, perrengues mil, pessoas difíceis que jogam contra e algumas piadas boas que fazem tudo valer a pena. Daí você toma um banho e se volta para o guarda-roupas (Sim, estou vivendo uma fase em que estou revendo conceitos por meio do meu guarda-roupas). E de repente você percebe que tudo que sempre funcionou, não funciona mais. É nesse ponto que você se toca que vai viver nas próximas 24h o "Dia de Roupa Ruim" *.

Você experimenta quase tudo que tem de vestir nessa vida. E a pilha em cima da cama só vai crescendo. Tenta combinações antes jamais pensadas. Mistura peças que nem de longe tinham afinidadeentre si na sua rasa noção de moda. E depois volta atrás! Nem mesmo a regata branca com aquele jeans amigo funciona (Sim, porque toda moça que se preze tem um jeans amigo que a faz se sentir gostosa até na TPM. Isso rende outro post!). E a pilha na cama continua crescendo e os minutos passando...

Até que muitas peças e horas de atraso depois você desiste. E vê que nada vai adiantar. Logo, você opta (ou desopta) por algo e vai pra vida mal humorada e se sentindo o mais roto e mal vestido dos seres da Terra. Até que você chega no trabalho e encontra alguém que nem precisa ser tão seu brotherzinho assim (tem mais efeito quando não é, inclusive) e a pessoa fala: "Nossa! Como você está bonita!". E você pensa: "Mas eu tô péssima!" E todos resolvem te elogiar quase que em coro uníssono.

É nessa hora que você percebe que foi só um Dia de Roupa Ruim. Nada mais que isso. E amanhã seu guarda-roupas voltará a ser bacana e funcional. E mesmo não sendo super recheado de coisas caras e glamourosas ele é o que você pode chamar de seu.
E tudo voltará ao normal.

*O Dia de Roupa Ruim é atemporal. Nada tem a ver com TPM! Mas confesso que quando ele acontece nessa época tem até atenuante criminal.

;-)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Aquele jeans velho...

É engraçado como tudo na vida se resume a fases. Tem fases que você gosta mais de uma roupa, ouve mais aquela banda e gosta mais de conviver com aquele amigo. É assim, a gente vive de fases.

Não que sejamos todos volúveis, instáveis ou rasos. Somos mutantes. Só isso!

E que tem fases que certas “coisas” se encaixam e nos satisfazem. E depois que essa fase passa, simplesmente aquilo não serve mais. Parece meio bizarro, e até meio cruel, dizer que aquela pessoa não serve mais, como se fosse uma velha peça do seu guarda-roupas.

Mas, infeliz ou felizmente, é assim mesmo. Aliás, a analogia é boa. É mais ou menos como aquele jeans bacanudo que, quando você comprou, não conseguia parar de usar. Onde você ia lá estava ele te acompanhando, firme e forte! Até que chega uma hora que você enjoa e o encosta. Até com um certo asco. Não porque não gosta mais dele. Mais do que ninguém você sabe que ele é bom, mas já deu o que tinha que dar.

E usá-lo significa voltar lá trás. Naqueles momentos em que você foi muito feliz ou noutros, que não foram tão agradáveis assim. O importante é saber que para você passou, foi vivido, digerido e superado.

Não! Não interprete esse texto como uma ode à efemeridade das coisas. Eu prezo tudo que vivi. Inclusive as burradas que fiz. Lembro com carinho dos momentos bacanas. Eles me trouxeram até aqui! Mas não dá para negar que as coisas mudam. Eu mudo! E ainda bem! Essa é a parte boa da vida. Não dá para lutar contra.

Por isso é importante entender a hora de doar aquele jeans encostado que já te fez muito feliz, mas passou.

É, mas é sábio admitir que terão alguns jeans que envelhecerão com você.

;-)