terça-feira, 28 de julho de 2009

E lá vamos nós...

...falar sobre racismo pela enésima vez. É que toda vez que a temática vem à tona eu me esforço pra não entrar na discussão porque só eu sei o que me custa voltar a essa blá blá blá que levei tanto tempo pra superar. Só que aqui é meu espaço e aqui posso e quero elocubrar.

Daí que essa semana um humorista x, reverberou uma piada y, em lugar z na internet. A piada é racista e coloca negros, macacos e jogadores de futebol todos no mesmo saco. Sem contar as loiras, que também são ofendidas por conseqüência na infeliz anedota. Infeliz porque é ruim, porque é nada criativa e mais velha que o King Kong, o célebre gorila citado pelo humorista.

Novidade? Não! Acontece que geral se doeu e quando geral se dói dá um sooooono. A piada é ruim, fato! Nasceu morta porque não tem graça. E não tem graça não apenas por se valer de um estereótipo preconceituoso. Mas também porque é lugar comum e por isso, beeem gasta. E tão datada quanto ter uma atitude racista.

Mas o que me péla o saco que eu não tenho é nêgo se surpreender e agir como se nunca antes tivesse ouvido uma piada baseada em precon. Ou como se nunca tivesse se valido de algum estereotipado para se sobressair na comédia. Seja o português, o argentino, o viado, a loira, a mulher, o nerd, o brocha, o corno, o fanho, o velho, todos fazem parte do pobre acervo humorístico nacional. Tanto quanto os negros.

E se inflamam como se o problema fossem as piadas. Veja, minha gente, elas, como qualquer outra manifestação do populacho, só refletem o que rola na boca da geral. Por tanto, não são causa, apenas sintomas. E, por isso, e SÓ, por isso, combater piadas racistas e seus contadores, na esperança de combater o preconceito racial, é quase como tratar o câncer com Aspirina.

Só pra constar aos desavisados: O precon racial existe, e faz tempo. Sempre existiu. Provavelmente os igualmente escurinhos já foram vítimas. Piadistas como o Gentilli são só o eco de um triste fato histórico que resultou num problema anacrônico nesse país.

Sejamos francos: Preconceito, você também tem um pra viver. Pode procurar, por minha conta! Só muda de endereço e histórico de vida. Nesse exato minuto você está me julgando com base neles, inclusive.

E isso pode até lhe parecer limítrofe, e é. Mas e aí? O que você está fazendo a respeito? Está revendo seus conceitos diante das diferenças e daquilo que lhe causa estranheza? Ou só está querendo mudar a forma como terceiros vêm o mundo trantando-os com igual preconceito?

Discussão pela discussão é só reverberação, quiçá, histeria.

Mais sobre o tema aqui no Afroencências e no Blog do La Peña.

sábado, 18 de julho de 2009

Quando a minha mãe vai embora

Eu já não moro com os meus pais há mais de 10 anos. Saí da casa deles pra morar em outro estado. Aquela velha história do filho que vai estudar e acaba não voltando porque decidiu cuidar da própria vida em outro canto e tals.

Mas mesmo estando há séculos longe deles, vendo-os no máximo umas 4 vezes ao ano dependendo do volume de feriados e de grana, eu choro quando minha mãe vai embora.

Geralmente ela vem me visitar em julho. E como boa mineira que é fica no máximo uma semana sempre bradando que "visita é igual peixe, se levar muito tempo fede". Mas esse pouco tempo que ela fica é sempre suficiente pra eu relembrar como é bom ter a mãe por perto e a falta que ela faz. Em alguns dias ela ajeita várias coisas que eu estava protelando, elogia, dá broncas, reclama, consola e se preocupa. Como se jamais tivesse saído da casa dela. E na verdade, não saí mesmo.

Resultado: toda vez que ela parte de volta pro Goiás eu fico com um nó entupindo a garganta. E aí leva um tempinho pra vida voltar ao pique de sempre.
A minha porção filha, que ainda é a maior, agradece a visita.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tá superestimando, né?

Existem algumas coisas nessa vida que são superestimadas. A democracia, a sinceridade, o sexo e a informação, são bons exemplos. E apesar de ser contra justificar opiniões, vou fazer antes que me batam na cara.

Democracia: nem toda escolha coletiva é legal. Por exemplo, você quer juntar os amigos. Sugere uma saída pra jantar e pede que escolham o lugar. Em segundos sua caixa de e-mail tem pelo menos 40 mensagens, e nada foi decidido. O Zezinho não come carne, a Pedrinha só come carne, Mariazinha não tem carro, Joãozinho não tem dinheiro. E você ficou sem jantar. O lance aqui é: galere, tô indo jantar no japonês quem tiver afim cola no bonde. Ditadura na veia.

Sinceridade: deus me livre e guarde da má hora de ter que ouvir tudo o que pensam de mim e mais ainda de ter que dizer tudo que penso dos outros para os outros. Oi, o que você acha de mim? Um mané, incompetente e ainda por cima arrogante. E de mim? Uma vaca aproveitadora e burra, mas que adora fazer a culta. NOT! A mentira e a omissão proporcionam um convívio social mais saudável.

Sexo: jura POR sua genitália que você quer transar a qualquer momento e com qualquer pessoa? Se sim, ok, você é doente e é melhor se tratar. Caso contrário há de convir comigo que tem muitos momentos em que é muito melhor fazer qualquer outra coisa do que ir pra cama com um dito cujo. Pense nisso.

Informação: pois é, de repente acordamos na era da informação, quando o que importa mesmo é quantos links você tem cadastrados no seu Reader. Não interessa o que você vai fazer com tanta coisa, mas tem que saber! Todo mundo tudo sabe, tudo lê, tudo vê. É chique ser devorador de blogs, livros, revistas e jornais. (Mas pra ser pró mesmo tem que ser early adopter, beta tester, etc) Agora o porque, eu não sei. Metade dessa informação recebida (e recebida antes) se quer é digerida. Porque, né? Logo menos, tem mais pra engolir. Logo, que vantagem Maria leva em saber tudo e não entender nada?

domingo, 12 de julho de 2009

Sol, mãe e letras

Oi Puf, que saudade! Faz tempo que não sento aqui pra lamentar, compartilhar teorias inúteis e piadas ruins, né? Isso porque ando meio que evitando contato com meu cérebro maluco. Tem muita coisa acontecendo aqui no mundo que dizem ser real. Tá difícil concatenar.

Mas no meio desse malabares sempre há um respiro. Algo que faça valer a pena. E por causa de um desses momentos em menos de 24h eu me emocionei duas vezes. De pura alegria de viver.

Uma foi assistindo ao show micareta do Robertão. Porque né? Rei sem peru da #fail no calendário. Mas ok. O encontro emocionado entre ele e Tremendão me fez chorar e lembrar de quantos amigos queridos eu tenho e pra quantas pessoas eu cantaria aquele verso "não preciso nem dizer tudo isso que eu te digo, mas é muito bom saber que você é meu amigo".

E foi também por outros versos a segunda rodada. No museu da Lingua Portuguesa, mais especificamente na Praça da Língua, com a parte maior de mim sentada do meu lado e muitos versos nas paredes. O melhor foi ouvir o Pessoa:

Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.

Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lado céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor

Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.


Toma essa merenda!