quarta-feira, 22 de abril de 2009

Susan x precon

Desde a semana passada o vídeo da Susan Boyle tem rodado na Web. Nele uma senhora de 47 anos, participa humildemente do Britains's Got Talent, uma espécie de show de calouros da gringa, e arrasa de cantar. O que tem de tão extraordinário nisso? Pra mim eu juro que nada. Mas o que tem de nêgo se emocionando por aí não tá escrito.

Mas acho essa emoção tão injustificada que resolvi me manifestar. Quer dizer que o fato da ser fisicamente fora dos padrões vigentes (feio), nunca ter sido beijada (encalhada) e humilde (ingênua) faz de Susan incapaz de cantar bem? Acho que na cabeça dos que vivem no mundo dos exclusivamente belos, sexualmente resolvidos e talentosos sim!

Porque só isso explica tanta emoção e surpresa ao se depararem com o talento da senhorinha. Pra mim o sentimento predominante deveria ser algo mais próximo da vergonha. Sim, porque julgar aparências todos nó julgamos desde que o mundo é mundo. Mas acreditar nisso a ponto de se emocionar profundamente quando um feio se mostra talentoso pra mim é extremamente vergonhoso.

Até porque hoje em dia é bem mais fácil ser bonito do que ter algum tipo de talento genuíno. E tenho uma lista de gente bem mais feia e rejeitada que Boyle, mas que conseguiu fazer desse mundo mais leve com seu talento.

Logo, caguei pra esse viral e pra toda essa emoção em torno dele.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A árvore da felicidade!


Eu adoro plantas em geral. Talvez por elas darem muito sem pedir quase nada em troca. Ou talvez porque isso me aproxime muito da minha mãe, da minha terra e da Terra.

Tanto que tenho algumas em casa. Cada uma delas traz uma história que se confunde com a minha. Três são heranças de amigas ex-roomates queridas: a árvore da sorte, a trepadeira indócil e a samambaia requenguela (que de requenguela não tem nada).

Elas já testemunharam os melhores e os piores momentos da minha vida em SP. Acompanharam-me em SEIS mudanças. Sobreviveram a momentos de dedicação extrema, em que quase as matei afogadas, e a fases de total desleixo, em que quase as matei de inanição.

E no ano passado, mais uma surgiu. Um raminho intruso apareceu no vaso do boldo, que estava falecendo. A princípio era só um brotinho sem graça que parecia mais uma praga. Até pensei em arrancar, mas fiquei com pena.

Pra minha surpresa, com o tempo vi que era o macho da árvore da felicidade. Fiquei tão feliz que a transferi para um vaso exclusivo. Ela vingou e cresceu com a determinação. Mas eu sempre pensava: falta a fêmea.

Até que no fim do ano, como de praxe, eu fui pra casa dos meus pais em Goiás. E num desses bate-papos de quintal com a minha mãe eu avistei uma árvore com mais ou menos 1m30 de altura e folhagem exuberante. Era ela, a fêmea!

Tia Neuza preparou uma muda, enrolou no jornal e colocou na minha mala de retirante. Quase 15 horas depois eu despenquei em SP. Desfiz a mala, corri para o vaso e soquei a mudinha do lado do macho.

Os dias passavam e ela perdendo as folhas e eu, a esperança de vê-la crescer. Eu trocava idéia, botava água, tirava os galhinhos secos, mas nada. Até que um broto verde claro despontou. Novinho, novinho. E depois dele vários outros vieram. E agora já precisarei de um vaso maior para que minha árvore da felicidade possa de fato virar uma árvore!

Tá, eu poderia ter comprado essa planta clichê. Eu poderia ter matado o mini ramo no ano passado, até. Mas qual seria a graça?