domingo, 29 de novembro de 2009

Suspresa!

Taí, você que anda sempre pela vida, sem ter o que fazer além do trivial: trampo, trampo, trampo. Acaba esquencendo que a vida é uma caixinha de surpresas. E como na máxima futebolística dá pra se esperar qualquer coisa, mas qualquer coisa MESMO!

E eu tava, por aí na vida, mais disposta do que o de costume. Até que tropecei em algo diferente. Bem diferente, na abordagem, na forma, no ponto de vista e do ponto de vista. Daí que por isso, depois de anos, eu peguei pra si. Ou melhor, eu tive vontade de pegar pra si, depois de anos.

Tô tentando entender, aceitar, cuidar. Mas é difícil, quase impossível. Eu tô daqui, do alto das minhas convicções, pondo a prova conceitos, gostos e trejeitos. E no fim, cedendo a quase tudo que eu achava controverso. Será que tem que ser assim? Todo mundo diz, eu inclusa, que quando tem que ser, é, e é fácil.

Mas sei lá, na prática se é assim tãaao fácil, no meu caso ou é mentira, ou não vai ser. Porque não tá sendo nada fácil digerir. Eu procuro defeitos, barreiras, diferenças, aparas, suspeitas...Acima de tudo, justificativas. Sei lá, de novo. Acho que tô ficando velha e medrosa.

Quando se tem algo mais a perder, do que o tempo, quer dizer, o tempo, passa a custar mais caro, dá um medo! E aí, eu já não sei se é só a idéia em si, ou a coisa como um todo que me atrai. Não dá pra saber. Porque a idéia em si é boa, mas é ruim. E a coisa como um todo também. Mas até aí o que na vida é de todo bom ou de todo ruim?

E aí, só me resta a dúvida do ser. E de todo o ser.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Por que eu me importo tanto?

Eu sempre gostei de sair cagando regras por aí. Não posso ver um ouvido desprevenido que já saio lançando minhas teorias furadas martelo adentro. E tem uma delas que eu gosto muito e repito sempre pra mim e para os outros: as coisas têm exatamente a importância que você quer dar pra elas.

Uma vez entendido isso, tudo fica mais fácil, certo? NOT! Não fica fácil porra nenhuma. Aliás, nunca foi ou será fácil. Sei lá, acho que faz parte da nossa condição.

Mas com certeza, fica mais leve. Quer um exemplo? Você foi assaltado, e claro, todos concordamos que isso é bem ruim. Você fica com a sensação de vulnerabilidade, impotência e medo. Sem contar os prejus. Mas daí achar que nunca mais deve sair de casa para evitar o risco de ser roubado novamente, é uma escolha. Você, e só você, pode decidir o quanto permitirá o efeito da passagem do larápio na sua vida.

E assim é pra todo o resto. Tudo depende do quanto você se permite e quer ser afetado pelos fatos e pessoas que estão sempre a sua volta. Até porque em dias diferentes uma mesma coisa pode nos afetar de modos diferentes.

Isso pode ser bobagem pra você, mas pra mim, que sempre se importou muito com tudo, é revolucionário. Com o passar dos anos, a terapia e tombos eu estou aprendendo a manter minha potência e controlar melhor a intensidade do quanto o que está de fora pode me afetar. Percebi isso hoje nas primeiras horas do dia.

Acordei mal humorada. E prefiro acreditar que esse mau humor é gratuito. Porque né? Nada de muito novo e horrível aconteceu entre ontem e hoje na minha vida. Nem mesmo o emaranhado de problemas práticos, existenciais e psíquicos que tenho que lidar todos os dias justificam esse mau humor. Se não ele seria permanente.

Até que eu cheguei no trampo e uma surpresa agradável aconteceu. Um amigo me presenteou com a trilogia do Poderoso Chefão, uma das melhores coisas que um bípede já fez, e de repente o mau humor perdeu a importância. Simplesmente, porque eu escolhi transferir a importância de todo o resto que me incomodava para os 4 DVDs na minha mesa.

E pensei na alegria de chegar em casa hoje - depois de lavar a pilha de louça acumulada devido à ausência prolongada da Marinete (um dos fatos que estava me incomodando) - e assistir a pelo menos um dos três filmes. E a vida sorriu de novo e todo o resto deixou de me afetar. Porque sim, mesmo sendo uma pessoa que se importa demais, eu estou aprendendo a me importar cada vez menos...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Oi, eu sou Helena!

Pois é, eu sempre gostei de novela. E não que precise, mas tenho várias justificativas para tal. Cresci assistindo a folhetins com a minha mãe. Clássicos da literatura brasileira como Ninho das Serpentes, Dona Beija, Roque Santeiro, Vale Tudo, etc. Pra mim era tudo o máximo, tramas intrigantes, trillers de suspense e histórias de amor proibidas. Todos bons exemplos de uma honesta expressão literária em que nós, brasileiros, somos fodas. Pronto, chega de justificativas.

Daí que ontem estreou na Vênus Platinada a nova novela do Maneco. E daí, né? Essa é só mais uma novela tocando bossa nova no Leblon com diálogos pobres porém, ricos em clichês. Sim, é. Mas com uma diferença que pra mim, é deveras importante: Pela primeira vez na história de merda desse país, temos numa novela, uma protagonista negra.

E mais que isso. Uma protagonista negra que não é escrava. Fodam-se todos que odeiam novelas, todos que odeiam o Manuel Carlos, e mais ainda, todos que odeiam os negros. Eu tô MUITO feliz que uma atriz negra tenha conseguido sair da cozinha da Vera Fischer para representar uma top model internacional linda e de cabelo ruim!

Eu cresci me espelhando em modelos inatingíveis. Loiras, brancas, lisas e lindas. Com as quais eu jamais ia parecer. (Deus, como eu desejei um franjão índio!) Levei 29 anos para entender que não havia NADA de errado com o meu cabelo e que sim, ele é bonito, saudável e é MEU!

E agora, com a super bonita da Taís Araújo no horário nobre, minhas sobrinhas vão ter a chance de ver que não há nada de errado com elas bem mais cedo do que eu. Ou melhor, talvez elas nunca cheguem a pensar que há algo de errado com a aparência delas. Que apenas vivemos num mundo onde as pessoas são diferentes e há espaço para todos os tipos de beleza. Mesmo que fora de casa.

Te dedico, Maneco!

Up date.: galera, eu sei que a Taís já foi protagonista da Xica da Silva e da Cor do Pecado. Mas ambos papéis eram baseados em estereótipos negros. O que quis dizer é que pela primeira vez a atriz negra saiu da cozinha e da senzala. A Helena da Taís é rica, linda, internacional. A pretinha tá por cima da carne seca como diria minha falecida vó, que adoraria ver pretos no poder.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

doze rascunhos

Doze rascunhos nenhum texto publicado. Não por nada, não por nada, mesmo. Nada de impublicável. Mas também nada de compartilhável. Só mais do mesmo. E do mesmo, mesmo. E quando não se tem mais do que samba e bossa pra dizer. Melhor calar. Deixar assentar. Parar. Mesmo porque tudo a minha volta se move, sem mim. Entre aspas. Porque eu nunca paro. Acontece. Mesmo que eu não queira, mesmo que eu queira que pare. Queria o devagar. Devagar em mim. Lento. Menos. Menos pressa. Menos palavras. Menos pensar. Menos supor pensamentos. Mas não dá.

Eu tento, mas não dá.

terça-feira, 28 de julho de 2009

E lá vamos nós...

...falar sobre racismo pela enésima vez. É que toda vez que a temática vem à tona eu me esforço pra não entrar na discussão porque só eu sei o que me custa voltar a essa blá blá blá que levei tanto tempo pra superar. Só que aqui é meu espaço e aqui posso e quero elocubrar.

Daí que essa semana um humorista x, reverberou uma piada y, em lugar z na internet. A piada é racista e coloca negros, macacos e jogadores de futebol todos no mesmo saco. Sem contar as loiras, que também são ofendidas por conseqüência na infeliz anedota. Infeliz porque é ruim, porque é nada criativa e mais velha que o King Kong, o célebre gorila citado pelo humorista.

Novidade? Não! Acontece que geral se doeu e quando geral se dói dá um sooooono. A piada é ruim, fato! Nasceu morta porque não tem graça. E não tem graça não apenas por se valer de um estereótipo preconceituoso. Mas também porque é lugar comum e por isso, beeem gasta. E tão datada quanto ter uma atitude racista.

Mas o que me péla o saco que eu não tenho é nêgo se surpreender e agir como se nunca antes tivesse ouvido uma piada baseada em precon. Ou como se nunca tivesse se valido de algum estereotipado para se sobressair na comédia. Seja o português, o argentino, o viado, a loira, a mulher, o nerd, o brocha, o corno, o fanho, o velho, todos fazem parte do pobre acervo humorístico nacional. Tanto quanto os negros.

E se inflamam como se o problema fossem as piadas. Veja, minha gente, elas, como qualquer outra manifestação do populacho, só refletem o que rola na boca da geral. Por tanto, não são causa, apenas sintomas. E, por isso, e SÓ, por isso, combater piadas racistas e seus contadores, na esperança de combater o preconceito racial, é quase como tratar o câncer com Aspirina.

Só pra constar aos desavisados: O precon racial existe, e faz tempo. Sempre existiu. Provavelmente os igualmente escurinhos já foram vítimas. Piadistas como o Gentilli são só o eco de um triste fato histórico que resultou num problema anacrônico nesse país.

Sejamos francos: Preconceito, você também tem um pra viver. Pode procurar, por minha conta! Só muda de endereço e histórico de vida. Nesse exato minuto você está me julgando com base neles, inclusive.

E isso pode até lhe parecer limítrofe, e é. Mas e aí? O que você está fazendo a respeito? Está revendo seus conceitos diante das diferenças e daquilo que lhe causa estranheza? Ou só está querendo mudar a forma como terceiros vêm o mundo trantando-os com igual preconceito?

Discussão pela discussão é só reverberação, quiçá, histeria.

Mais sobre o tema aqui no Afroencências e no Blog do La Peña.

sábado, 18 de julho de 2009

Quando a minha mãe vai embora

Eu já não moro com os meus pais há mais de 10 anos. Saí da casa deles pra morar em outro estado. Aquela velha história do filho que vai estudar e acaba não voltando porque decidiu cuidar da própria vida em outro canto e tals.

Mas mesmo estando há séculos longe deles, vendo-os no máximo umas 4 vezes ao ano dependendo do volume de feriados e de grana, eu choro quando minha mãe vai embora.

Geralmente ela vem me visitar em julho. E como boa mineira que é fica no máximo uma semana sempre bradando que "visita é igual peixe, se levar muito tempo fede". Mas esse pouco tempo que ela fica é sempre suficiente pra eu relembrar como é bom ter a mãe por perto e a falta que ela faz. Em alguns dias ela ajeita várias coisas que eu estava protelando, elogia, dá broncas, reclama, consola e se preocupa. Como se jamais tivesse saído da casa dela. E na verdade, não saí mesmo.

Resultado: toda vez que ela parte de volta pro Goiás eu fico com um nó entupindo a garganta. E aí leva um tempinho pra vida voltar ao pique de sempre.
A minha porção filha, que ainda é a maior, agradece a visita.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tá superestimando, né?

Existem algumas coisas nessa vida que são superestimadas. A democracia, a sinceridade, o sexo e a informação, são bons exemplos. E apesar de ser contra justificar opiniões, vou fazer antes que me batam na cara.

Democracia: nem toda escolha coletiva é legal. Por exemplo, você quer juntar os amigos. Sugere uma saída pra jantar e pede que escolham o lugar. Em segundos sua caixa de e-mail tem pelo menos 40 mensagens, e nada foi decidido. O Zezinho não come carne, a Pedrinha só come carne, Mariazinha não tem carro, Joãozinho não tem dinheiro. E você ficou sem jantar. O lance aqui é: galere, tô indo jantar no japonês quem tiver afim cola no bonde. Ditadura na veia.

Sinceridade: deus me livre e guarde da má hora de ter que ouvir tudo o que pensam de mim e mais ainda de ter que dizer tudo que penso dos outros para os outros. Oi, o que você acha de mim? Um mané, incompetente e ainda por cima arrogante. E de mim? Uma vaca aproveitadora e burra, mas que adora fazer a culta. NOT! A mentira e a omissão proporcionam um convívio social mais saudável.

Sexo: jura POR sua genitália que você quer transar a qualquer momento e com qualquer pessoa? Se sim, ok, você é doente e é melhor se tratar. Caso contrário há de convir comigo que tem muitos momentos em que é muito melhor fazer qualquer outra coisa do que ir pra cama com um dito cujo. Pense nisso.

Informação: pois é, de repente acordamos na era da informação, quando o que importa mesmo é quantos links você tem cadastrados no seu Reader. Não interessa o que você vai fazer com tanta coisa, mas tem que saber! Todo mundo tudo sabe, tudo lê, tudo vê. É chique ser devorador de blogs, livros, revistas e jornais. (Mas pra ser pró mesmo tem que ser early adopter, beta tester, etc) Agora o porque, eu não sei. Metade dessa informação recebida (e recebida antes) se quer é digerida. Porque, né? Logo menos, tem mais pra engolir. Logo, que vantagem Maria leva em saber tudo e não entender nada?

domingo, 12 de julho de 2009

Sol, mãe e letras

Oi Puf, que saudade! Faz tempo que não sento aqui pra lamentar, compartilhar teorias inúteis e piadas ruins, né? Isso porque ando meio que evitando contato com meu cérebro maluco. Tem muita coisa acontecendo aqui no mundo que dizem ser real. Tá difícil concatenar.

Mas no meio desse malabares sempre há um respiro. Algo que faça valer a pena. E por causa de um desses momentos em menos de 24h eu me emocionei duas vezes. De pura alegria de viver.

Uma foi assistindo ao show micareta do Robertão. Porque né? Rei sem peru da #fail no calendário. Mas ok. O encontro emocionado entre ele e Tremendão me fez chorar e lembrar de quantos amigos queridos eu tenho e pra quantas pessoas eu cantaria aquele verso "não preciso nem dizer tudo isso que eu te digo, mas é muito bom saber que você é meu amigo".

E foi também por outros versos a segunda rodada. No museu da Lingua Portuguesa, mais especificamente na Praça da Língua, com a parte maior de mim sentada do meu lado e muitos versos nas paredes. O melhor foi ouvir o Pessoa:

Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.

Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lado céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor

Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.


Toma essa merenda!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tostines*

Ando tão pouco inspirada nos últimos dias que não consegui escrever nada. Pelo menos nada que valesse a pena compartilhar. Sei lá, talvez seja apenas ressaca de uma fase reclamenta. Reclamei tanto, mas tanto, que agora fiquei meio sem ter o que pontuar.

Mas agora entrei de novo numa fase ok. Tá tudo certo, onde deveria estar. E com viés de alta. E passada a má fase parei pra pensar que na verdade tudo na vida sempre está onde deve estar. Os chatos a sua volta se mantém chatos, os FDPs continuam FDPs e os bacanas idem, mas com esses é fácil lidar (quase) sempre. E você normalmente vive bem nesse ecossistema.

Mas um belo dia você dorme com a bunda descoberta e passa a agir como se tudo fosse uma grande cilada milimetricamente armada única e exclusivamente para te foder. Ah, e você se fode. E como se fode! Sem saber se tá se fodendo porque é fodido ou se é fodido porque tá se fodendo. No melhor estilo Tostines, a única coisa que você sabe é que é fresquinho.

Mas na verdade não é nada disso. Você dificilmente se fode mais do que já se fodeu outrora. A vida de qualquer bípede tende a ser básica, salvo uma ou outra tragédia que pode nos pegar de surpresa (Deus nos livre das más horas!). O Twitter tá aí pra nos provar isso.

A maioria de nós não coleciona grandes feitos ou grandes decepções (É aí que o memorável faz sentido). E a maioria de nós tem porções de alegrias e realizações pra compartilhar mais ou menos na mesma medida. Tudo bem clichesento mesmo! Fazer o quê? Tá tudo certo.

Já pensou se o mundo fosse feito só de Giseles Bünchueins e Elvis? Ia dar na mesma só que sem ícones inalcançáveis para ficarmos nos comparando. Por isso, um pouco de histeria é necessário pra sair do marasmo e sentir frio, calor, dor, euforia, borboletas no estômago e a falta de chão sob os pés.

É, essa vida é louca, ou talvez seja eu. Aliás, é bem provável que seja eu.

*

terça-feira, 16 de junho de 2009

Enquanto isso, no Gtalk

Amiga: afe
e esse cara
não pega nem gripe
q saco!

Eu:
pois é!
ou se pega
é gripe suina né?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bota pra subir

Passa da meia noite, tá frio bagarai aqui em SP e foi exatamente nesse contexto que uma bigorna Acme caiu na minha cabeça. Pois é, depois de alguns dias tristes que viraram semanas, que virou fase e tava virando estilo de vida, eu me liguei: em que momento eu resolvi virar uma cuzona?

Foi como rebobinar uma fita e ver de novo um filme chato com roteiro tirado de um tango argentino. E esse é o ponto! Eu amo tango, mas nunca quis viver um. E aí foi só debulhar o rosário mentalmente.

Fácil nunca foi, mas ruim também não é. O placar continua a favor e se olhar com carinho, nunca esteve melhor! A armadilha, pra variar, é volta e meia esquecer isso e garrar no VDM life style: Tudo dá errado porque só reclamo ou só reclamo porque tudo dá errado? NOT!

Não, não vou acordar menos coração peludinho amanhã. Muito menos sair rindo com os dentes de baixo pra todo mundo (não fui abduzida), mas me espera minha mãe que eu to voltando!

Até porque o rancor sem piada é mágoa pesada. Dói no corpo, reflete na vida e sobe pra alma. E entrar no looping de pisar na própria janta é só burrice pra se matar de fome. E nem de fome eu gosto!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

04:18

Fazer o que quando tudo o que se quer é que não amanheça. Ou que pelo menos se esqueça de que é noite na sua acabeça. Rimas pobres de espírito. Sonhos mais próximos de pesadelos.

Nada basta, nada supre. Terapia e fugas são só exercícios. Chocar, a essa altura, não causa nem impacto. Soa até infantil. Fazer o quê? O que fortaleceu, não matou.

E se não matou é porque não era para morrer. Mas até aí morrer é só consequência de qualquer viver. Para começar é preciso acabar. E se é pra viver eu vivo, se é pra brigar eu brigo, se é para acabar eu acabo.

E nessa prova, fujo e me arrependo no próximo passo e depois de tudo, esculacho. Como se a mim não pertencesse. Como se não matasse a sede, a escacez de uma vida da qual eu não desisto. Simplesmente por saber que desistir não me livra nada, nem da culpa de ter escolhido o que escolhi. Só o persistir que é supervalorizado.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ah, chora!



Ovo de galinha magra...gora.
Todo mundo que eu conheço...chora.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Generalizar, blerg!

Todo mundo generaliza. Eu, você, o Papa (principalmente o Papa). Mas isso não significa que colocar todo mundo no mesmo saco seja bacana. Pode até não ser errado, mas é tão razo quanto o box do meu banheiro.

E das generalizações que ouço com freqüecia, a que mais me irrita é a clássica "mulheres são competitivas". Não dá nem pra compreender o que o cidadão quer dizer com isso. Elas competem pelo que exatamente, e com quem? É o tempo todo?

Se isso vier de uma mulher me irrita mais ainda! Porque sim, eu tenho muitas amigas, todas saudavelmente diferentes de mim e eu nunca me senti numa gincana com elas.

Muito pelo contrário! Elas são amorosas, elogiosas e companheiras. Riem comigo de piadas boas e ruins, me apoiam nos momentos difíceis, comemoram comigo os meus grandes feitos e me dão bronca se me auto deprecio. Inclusive, em alguns momentos, elas gostam mais de mim do que eu mesma e demonstram um puta esforço para me puxar pra cima. Pra mim isso tá mais pra compartilhar do que pra competir.

Lamento por quem não tem isso na vida e lamento mais ainda por quem não tem e coloca a culpa no gênero.

PS.: Só complementando, não são as mulheres que começam as guerras, oprimem outros povos, tiram racha, saem na mão. Pelo menos a maioria delas não. Também não foram as mulheres que inventaram as competições por esporte com o único objetivo de provar quem é melhor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Meritocracia da vida: fail

Chega a ser engraçada a forma como as coisas se impõem diante da gente nessa vida. Desde criança somos condicionados ao esquema: Aja direitinho que você ganha um biscrok. E assim seguimos. Fazendo a lição, para ter mais horas de televisão. Comendo o brócolis, para ser brindado com o sorvete. Tirando boas notas, para ganhar a visita do bom velhinho. Até que você cresce e percebe que esse tipo de meritocracia não existe na vida prática.

Você tenta e faz a coisa certa. Estuda, trabalha se dedica, mas a conta não fecha. Aí muda de tática, se corrige, melhora e NADA de biscrok.

E nessa matemática questionável quem sai vencendo é só a culpa católica. Porque na busca eterna por um lote com vista pro mar no éden todo mundo tenta se enquadrar. Só que no fim das contas é tudo pessoal e intransferível e o fato de você agir corretamente de acordo com a sua lógica e ética não te garante nada nem de bom nem de ruim.

Simplesmente não existe crime, nem castigo. Muita gente faz pouco e ganha muito. E tem até quem não faz nada e só recebe.

Fail! Fail! Fail!

Festa no estômago

Ai ai ai...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Susan x precon

Desde a semana passada o vídeo da Susan Boyle tem rodado na Web. Nele uma senhora de 47 anos, participa humildemente do Britains's Got Talent, uma espécie de show de calouros da gringa, e arrasa de cantar. O que tem de tão extraordinário nisso? Pra mim eu juro que nada. Mas o que tem de nêgo se emocionando por aí não tá escrito.

Mas acho essa emoção tão injustificada que resolvi me manifestar. Quer dizer que o fato da ser fisicamente fora dos padrões vigentes (feio), nunca ter sido beijada (encalhada) e humilde (ingênua) faz de Susan incapaz de cantar bem? Acho que na cabeça dos que vivem no mundo dos exclusivamente belos, sexualmente resolvidos e talentosos sim!

Porque só isso explica tanta emoção e surpresa ao se depararem com o talento da senhorinha. Pra mim o sentimento predominante deveria ser algo mais próximo da vergonha. Sim, porque julgar aparências todos nó julgamos desde que o mundo é mundo. Mas acreditar nisso a ponto de se emocionar profundamente quando um feio se mostra talentoso pra mim é extremamente vergonhoso.

Até porque hoje em dia é bem mais fácil ser bonito do que ter algum tipo de talento genuíno. E tenho uma lista de gente bem mais feia e rejeitada que Boyle, mas que conseguiu fazer desse mundo mais leve com seu talento.

Logo, caguei pra esse viral e pra toda essa emoção em torno dele.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A árvore da felicidade!


Eu adoro plantas em geral. Talvez por elas darem muito sem pedir quase nada em troca. Ou talvez porque isso me aproxime muito da minha mãe, da minha terra e da Terra.

Tanto que tenho algumas em casa. Cada uma delas traz uma história que se confunde com a minha. Três são heranças de amigas ex-roomates queridas: a árvore da sorte, a trepadeira indócil e a samambaia requenguela (que de requenguela não tem nada).

Elas já testemunharam os melhores e os piores momentos da minha vida em SP. Acompanharam-me em SEIS mudanças. Sobreviveram a momentos de dedicação extrema, em que quase as matei afogadas, e a fases de total desleixo, em que quase as matei de inanição.

E no ano passado, mais uma surgiu. Um raminho intruso apareceu no vaso do boldo, que estava falecendo. A princípio era só um brotinho sem graça que parecia mais uma praga. Até pensei em arrancar, mas fiquei com pena.

Pra minha surpresa, com o tempo vi que era o macho da árvore da felicidade. Fiquei tão feliz que a transferi para um vaso exclusivo. Ela vingou e cresceu com a determinação. Mas eu sempre pensava: falta a fêmea.

Até que no fim do ano, como de praxe, eu fui pra casa dos meus pais em Goiás. E num desses bate-papos de quintal com a minha mãe eu avistei uma árvore com mais ou menos 1m30 de altura e folhagem exuberante. Era ela, a fêmea!

Tia Neuza preparou uma muda, enrolou no jornal e colocou na minha mala de retirante. Quase 15 horas depois eu despenquei em SP. Desfiz a mala, corri para o vaso e soquei a mudinha do lado do macho.

Os dias passavam e ela perdendo as folhas e eu, a esperança de vê-la crescer. Eu trocava idéia, botava água, tirava os galhinhos secos, mas nada. Até que um broto verde claro despontou. Novinho, novinho. E depois dele vários outros vieram. E agora já precisarei de um vaso maior para que minha árvore da felicidade possa de fato virar uma árvore!

Tá, eu poderia ter comprado essa planta clichê. Eu poderia ter matado o mini ramo no ano passado, até. Mas qual seria a graça?

terça-feira, 31 de março de 2009

Eu não nasci pra sapatos!

Hoje tive uma reunião. Logo, tive que deixar o tenão respingado de tinta em casa e sacar um saltinho mais coerente. O problema é que o único sapatinho que não me machuca está se desfazendo, por motivos óbvios, e tive que apelar para alguma alternativa.

Tentei o menos assassino do armário. Ele é lindo, vermelho, salto grosso, crocodilado e tem lacinho. E na baladinha funciona que é uma beleza. Mas aí é que tá. Eu não fico NOVE horas na baladinha. Nem vou e volto de busão/metrô da baladinha. Nem ando duzentas quadras para chegar à baladinha. Resumindo: me fodi!

E agora estou aqui com cerca de 250 bolhas. Tem bolha até na lateral direita inferior do dedão!!! E de quebra, dei uma torcida no pé que bambeou o salto.

Conclusão: EU NÃO NASCI PRA USAR SAPATOS!

Não há no mundo um que não me agrida. Salvo o verdinho em pleno desmanche, TODOS me causam danos. Inclusive as havaianas (acredite, a tira fere o espaço entre os dedos)! Melissas então, só de olhar já dói. Tanto, que já me manifestei sobre o tema aqui.

All Star? Nem pensar! A ausência total de salto faz doer até o cox. Melhor apanhar na rua. Botas? Hahahahaha! E o bico fino? Nesse caso, é melhor martelar os dedos antes, na esperança de que quebrados eles se moldem ao funil.

Bom, gente. O sofrimento é tanto que eu até cogitei usar croc*. Mas seria incoerente da minha parte. Porque se o objetivo fosse SÓ ficar confortável eu andaria descalça. E como isso não é possível, só me restam as cicatrizes. Pelo menos não estou só nessa dor.

*É mentira! Eu nunca cogitei usa um croc na minha vida! Com exceção de crianças (até 10 anos), chefs e enfermeiros, mais ninguém deve usar o conforto como desculpa pra essa ridiculisse!


Não me deixe só!

Up date: gente, eu amo sapatos, enquanto acessórios! Acho uma peça essencial para montar um bom look. Shoestok é meu Hopi Hari! Só estou lamentando o fato de que todos os modelos existentes no mundo me machucam.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Brasil!

Um amigo querido, estudante de jornalismo, decidiu cursar um semestre da facul em Roma, na Itália. E como todo brasileiro que se preze, há cerca de um mês fora de casa, ele já está clamando por arroz, feijão e bife. E já tá com um viés de saudade inclusive do caos urbano de São Paulo.

Em meio a nossa troca de e-mails ele falou a respeito do bairrismo italiano e de como eles são fechados a outras culturas e novidades. Sem dúvida falta uma veia cosmopolita e evolutiva. Mas a parte bacana que eu quero dividir com vocês é a fala de um dos professores dele lá a respeito do nosso país. Segue:

"É importante para nós italianos, e principalmente romanos, percebermos que um país como o Brasil, de história com bem menos de um milênio, e de São Paulo, uma cidade extremamente jovem, nos dá um banho em termos de modernidade e globalidade. O Brasil não é um país subdesenvolvido nem pobre -- é um país muito mais rico que a Itália, e com projeção mundial significativamente forte -- mas é um país de desigualdades. O desafio deles é lidar melhor com isso, e o nosso é descobrir pq ficamos para trás!"

Meu amigo: Esse professor é um sociólogo, puta intelectual, apaixonado pelo Brasil (ele almoçou com o Niemayer no seu aniversário de 100 anos). Foi lindo ouvir tudo isso. Hum, pois é, uma Itália nada moderna, cosmopolita ou tecnológica, mas bem, bem charmosa!!

Ufanismos a parte, achei a definição tão sensata e isenta que tive que compartilhar.

PS.: nada pessoal tá? Há!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Sentou e ganhou

Ai, finalmente consegui fazer o sorteio da promo. É galera, acabou!

E a vencedora foi a Danielle Barg! Olha só que sortuda! Mandarei um e-mail pra ti, para combinarmos a entrega.

Às demais não foi dessa vez, mas agradeço a participação de todas do fundo do meu estômago.

Ps.: Pra que não haja dúvidas eu usei o random.org. Dica ixpertar da Boa de Garfo.

sábado, 14 de março de 2009

Parada no farol (verde)

Às vezes sinto que estou parada no farol. Não porque ele está fechado, proibindo minha passagem. Tá verde. Mas por algum motivo empaco.

Seja porque um mané fechou o cruzamento (achando que só ele no mundo quer chegar a algum lugar), seja porque o carro morreu e eu não consigo ligar. Ou simplesmente porque tudo está parado também até onde a vista pode alcançar.

E assim o farol abre e fecha e eu não consigo sair do lugar. Durmo, acordo, leio, mastigo e torno a dormir. E ainda me vejo parada no mesmo quarteirão. Nada se move entre o lugar da onde vim e onde quero chegar.

Sensação horrorosa essa de estar travado.

Mas uma hora sempre anda. Tem que andar. E com o tempo aprendo caminhos alternativos e outros meios de transporte. E mesmo que me perca, vou me movimentar.

terça-feira, 10 de março de 2009

Senta na promo e leve um Lancôme!

Daí que o último sábado foi dia de exercer a mulherzisse: estreei no Luluzinhas Camp. (É, porque mulher não inicia, estréia). Pra quem não sabe o Luluzinhas é um evento fofo que reúne mulheres conectadas para atividades diversas. Fotos aqui.

Teve debates sobre assuntos sérios como feminismo, discussão de gênero e mercado de trabalho. Mas como somos todas stereo multimídia teve também as fofisses que tornam nossa vida mais bela. Que dessa vez veio em forma de aula de automaquiagem bancada por ninguém menos que Lancôme.

E não pára por aqui. Além de todo o mimo in loco, saí de lá com brindezinhos fofos, sendo um deles pra sortear por aqui. E é coisa phina: um mini kit da Lancôme com amostra do Magnifique Parfum e do rímel Hypinôse. Tem ainda um cartão com uma senha secreta das Luluzinhas que vale um batom na compra de qualquer produto pelo site da Lancôme.

Pois é, essa é a primeira vez que essa que vos fala vai dar algo em troca da atenção dispensada. E finalmente, vocês correrão o risco de ganhar alguma coisa além da minha cagação de regras aqui no Puf.

Pra concorrer não precisa fazer porra nenhuma, além de comentar neste post com seu nome e e-mail. Sortearei aqui em casa à moda antiga (não achei nada mais muderno).

Ps.: Como tenho muitas leitoras amigas que vão querer (e merecem) esse afago, fiquem tranqüilas que não haverá favorecimento. A Camis oficialmente já abriu mão de participar. Primeiro porque ela já tem um desse e segundo, queremos evitar futuras auditorias por fraude no Abacaxi (caso ela ganhasse).

Então é isso muiézada! Participem! Não me deixem frustrada na minha primeira promo.

Ah, no evento teve também lançamento em primeira mão do Lancôme Ôscillation. Um rímel com um botão na base que quando acionado faz o pincel vibrar contornando todos os fios dos seus cílios em 36oº. Pois é. Dizem que é coisa da Nasa. Eu já parei de comer pra comprar um. A idéia é ficar magra e com cílios ótemos!

terça-feira, 3 de março de 2009

Se me perguntassem

Enquanto meu novo RG não vem eu tô andando com o meu velho, mas velho mesmo (de outra paróquia, inclusive). Tipo de 1900 e Hebe sem ruga. Daí olho pra foto e fico indo e voltando no tempo.

Se alguém me perguntasse há uns 20 anos o que eu esperava da vida responderia: estar no palco da Xuxa e um beijo pra minha mãe, pro meu pai e outro pra você. O máximo do consumo pra mim eram os doces da vendinha do seu Ibe (que Deus o tenha) um suspiro, uma maria-mole e um babaloo tuti-fruti.

Já se me perguntassem o que eu esperava da vida há uns 15 anos a lista seria um pouco maior. Beijar o Humberto (ou seria o Wealey? Sei lá, me foge a cronologia do platonismo nessa hora), ser pentacampeã de basquete municipal do jogos estudantis rioverdenses (eu já era tetra)e ter uma roupa nova pra a festinha de sexta.

Agora, se a pergunta fosse feita há cerca de 10 anos eu ia dizer com toda certeza deste mundo: salvar o mundo e de quebra, me formar na faculdade, PONTO!

É, as coisas mudam e o resto é conseqüência. E às vezes, dá a impressão que tudo sempre foi um grande ensaio para esse momento. Esse mesmo. Sentada na cama digitando esse texto. Mesmo consciente de que a paquita babaloo lá de cima nem se quer sabia o que era internet.

Tanta coisa mudou dentro e fora daquela foto. Menos uma. Nunca tive muita certeza de nada. Às vezes nem certeza alguma. Acho até que a única certeza é a de querer seguir em frente. Vivendo, experimentando, cagando e acertando também.

E hoje, se perguntarem o que espero da vida...Huuum. Vai ser bem difícil responder. Talvez daqui a 20 anos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Quando não se pode perdoar*



A semana começou pra mim com uma notícia que me faz ter um pouco menos de fé nas pessoas: a Rihanna e o Chris Brown estão se reconciliando. Até aí você pensa: o que eu tenho a ver com isso? Tudo! Essa moça foi espancada por esse rapaz a ponto dos vizinhos chamarem a polícia. E agora ela volta com o agressor. Quando deveria justamente fazer o contrário. Agarrar com toda força no pescoço da dignidade e sair a galope desse relacionamento.

Sei que esse é um assunto tenso. E que as vítimas de agressão muitas vezes não conseguem sair disso por motivos que passam longe do que é certo ou errado. "Mas ele jurou que vai mudar". Ahã!

Mas o que não dá é fingir que não acontece. E achar que um tapinha não dói. Até porque a agressão começa quilômetros antes do tapa na cara. Por isso, quando li o post da queridona *Gabi Bianco, decidi engrossar o coro.

"Não fiquem caladas. O silêncio é a maior arma que os agressores têm. Denuncie. Brigue. Peça ajuda. Não deixe de se afastar de um homem que bata em você. Não há desculpa pra bater na muler. Nem um tapa, nem um empurrão. Não importa se ele bebeu, se ele estava nervoso, se ele perdeu o emprego ou se o time dele perdeu o jogo. Denuncie. Nada é desculpa.", by Gabi

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

100 anos de perdão

Tava aqui sem dormir pensando pela milésima vez desde sexta na seqüência dos fatos descritos no B.O. O cruzamento, os caras vindo, a arma apontada. E por mais que eu reveja o filme, sem poder evitar os se nãos, nada muda. E eu abro o olho e percebo que continuo aqui, inteira, saudável e isso é o que de fato importa. E é! Não tenho dúvidas.

Mas ainda assim fico tentando entender o que nos leva a achar que podemos tirar dos outros aquilo que os pertence de fato e de direito. Seja a tranqüilidade, a paz de espírito, a dignidade, o humor, o amor ou o telefone celular. Em que momento o juízo aceita e o superego se cala. A falta de seja lá o que for não justifica.

Lógico, que o mané que levou minha bolsa não tem a menor idéia do valor que cada item lá tinha pra mim. Pela história, pela subjetividade que não se recupera. Mas menos ainda ele é capaz de imaginar a benção do que deixou ficar.

Mas no fim das contas todos nós roubamos. Agressivamente, sorrateiramente, disfarçadamente. Mas roubamos. Apropriamos-nos do alheio, invadimos sem se quer questionar a legitimidade do ato. E a grande ironia é que também somos roubados.

Portanto, 100 anos de perdão.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando o máximo

Eu maximizo. Maximizo desejos, frustrações, alegrias e momentos. Quando quero, quero muito e quanto não, mais ainda. Tanto que invento queres e de tanto querê-los faço deles meus inimigos. E então volto a maximizar, dessa vez a decepção de não tê-los alcançado.

É como se esquecesse que entre o ideal e o tangível existissse uma equação apelidada tempo. Esse tal que por vezes também se veste de algoz. Severo, indomável, lento e ordinário. Que nas horas mais inadequadas sai em disparada. Por pura má vontade. Mas se há uma ferida, paraliza e angustia até fazer de mim minha própria vítima. Ah como eu o odeio e ao mesmo tempo o venero.

E sigo por ele e para ele. Sofrendo honestamente. Não sei se por ansiedade, vontade ou vaidade. Ou tudo isso junto. E sofro maximizadamente. Na espera digna de que algo aconteça e algo sempre acontece. E nesse instante, em que a idéia passa da alma e ilusioriamente sai de si para fora, é possível perceber que o máximo foi feito.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Astolfo, o macaco bananeiro

Era uma vez o Macaco Astolfo que vivia na Mata Atlântica. Uma floresta que outrora fora repleta de bananeiras, que com o tempo e o desmatamento foram desaparecendo. Por pura sorte a região em que Astolfo vivia continuava com uma quantidade razoável de bananeiras. E diversos macacos passavam por ali para comer bananas a vontade.

Mas Astolfo, que não era bobo, teve a brilhante idéia de se apropriar da plantação. Inventou um tal de loteamento e uma tal de escritura. Logo, pensou "se a terra é minha as bananas também são". E empreendedor como ele só, fez um curso no Sebrae e montou o único hipermercado de bananas da cercania. Tinha pencas para saciar todos os gostos da macacada faminta.

Não precisa ser analista de mercado para prever o que aconteceu. Macacos não têm dinheiro e Astolfo se fodeu!

Moral da história: Não adianta ter sorte, boas idéias, ser esperto, ter senso de oportunidade, bom preço e se preparar para a competição mercadológica. Tá no mundo, vai se foder!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Top 5 lama songs

Eu nem ia fazer, mas tá todo mundo da blogosfera várzea fazendo. Não resisti. Segue aí a minha lista de músicas ideais para abraçar o travesseiro e chorar como se não houvesse amanhã.

TOP 5 - Ain't Got No - Nina Simone

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class
Ain't got no skirts, ain't got no sweaters
Ain't got no faith, ain't got no beard
Ain't got no mind

Por que? Porra, ela não tem nada nessa vida! Nada! Melhor morrê logo!

TOP 4 - Ela partiu - Tim Maia
Ela partiu, partiu
E nunca mais voltou
Se eu soubesse onde ela foi iria atrás
Mas não sei mais nem direção
Várias noites que eu não durmo
Um segundo
Estou cansado
Magoado exausto
E nunca mais voltou

Por que? A mina foge e ele ainda iria atrás de soubesse onde ela está. Mais lama que isso, impossível.

TOP 3 - Samba do Amor - Teresa Cristina e grupo Semente
Quanto me andei
Talvez pra encontrar
Pedaços de mim pelo mundo
Que dura ilusão
Só me desencontrei
Sem me achar
Aí eu voltei
Voltar quase sempre é partir
Para um outro lugar

Por que? Porque é samba, é triste, é foda! E se é pra chorar, eu choro sambando.

TOP 2 - Ain'T No Sunshine – Al Green
Ain't no sunshine when she's gone,
It’s not warm when she's away.
Ain't no sunshine when she's gone,
And she's always gone too long
Anytime she goes away.

Por que? Quando ela se vai nada mais presta. Eita negão romântico!

TOP 1 - Atrás da Porta - Chico, o Buarque de Holanda.
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Por que? Não consigo conceber nada mais fossa foda do que a frase "Te adorando pelo avesso pra mostrar que ainda sou tua"

Confira outras trilhas para encarar o bueiro com estilo do João Pedro, da Dri e da Rapha. Dizem que Lelê e Rodogro vão fossar também. Dizem!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sem Medida


Aê macacada, eu acabo de abrir um novo blog. O Sem Medida. É que como já tô com a vida ganha, decidi me dedicar só ao que eu gosto de fazer: escrever, cozinhar e comer.

No Sem Medida estarão as receitas que eu faço em casa e que já dividia com vocês aqui no Puf. Nada elaborado, nada complicado, nada sofisticado. E tudo sem quantificar, porque não sei fazer isso.

Espero que vocês gostem das minhas dicas e participem enviando as de vocês. E o Puf, segue com a programação normal de cagação de regras.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Diferente de quem, cara pálida?

Desde que cortei o cabelo tenho chamado mais atenção que o normal. Já sou meio escandalosa, tenho uma voz grave, falo alto e também não sou das mais mignons (ai que boa vontade com as 5 @’s que me pertencem!).

Pois é, desde que dei aquela tosa no cabelo, e finalmente, cantei pra subir um black power, só dá eu chocando no busão. E agora, com o cabelo mais original que já tive na vida (no sentido de origem, pq esse é meu cabelo puro e simples) ouço coisas como: nossa! Você é tão diferente!

DIFERENTE DE QUEM CARA PÁLIDA? De você? Graças! Dos outros negros do mundo? Nem tanto. Dos ETs? Com certeza!

Tá bom, eu também dei uma clareada nas madeixas, e isso ajuda no choque. Mas aposto que 11 em cada 10 mulheres pintam o cabelo nesse País!

E o melhor de tudo é a aura glam que agora me persegue: "Você só pode ser cantora". Ah é? Ninguém além da Vanessa da Mata pode assumir um sarará, assim impunemente??? Trabalhar num banco? Não com esse cabelo, que é puuuro estilo!

Sem contar que enquanto ele era comprido eu era obrigada a evitar salões de beleza. Onde eu entrava vinha uma maldita querendo tacar uma boa dose de formol na minha cabeleira. "Faz uma progressiva nele, boba!" Nãaaao! Posso não querer alisar meu cabelo, posso?

Olha, sei que a gente se pauta pelo que vemos e por conceitos que já conhecemos. Eu tb faç isso. Mas ai, chega uma hora é preciso desapegar um pouco dos estereótipos e preconzinhos datados.

Pois é, eu sou negra, pus os cabelos pra cima e fodam-se todos. Não, não sou cantora, nem atriz, nem capa da Sexy edição espcial afro-descendentes. Nem faço nada tão glamuroso ou célebre. Sou só uma jornalista, pobre loka e convencional em quase todos os aspectos da minha vida. E a única diferença que existe está na cabeça de quem me vê!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Deu a louca no gerente!

O ano, né? E o que mais gosto dessa história Natal/Réveillon é que a gente torra tudo em dezembro. Limpa o cofre, solta a gaita, dá fim no cascalho. Sem dó! Não tem crise global que segure a fúria gastante das boas festas.

Aí chega janeiro. Preguiçoso, ressaquento, mavon, quente (pelo menos deveria) e ... pobre. E por ironia da vida e mero apelo econômico dos porcos capitalistas o MUNDO entra em promoção. E tudo, mas TU-DO passa ter preços IM-PER-DÍ-VE-E-E-IS!

Tudo está com 30, 40, 50, 60 quiçá 70 por cento de desconto. TV de LCD, calça, sofá, bolsa, ar condicionado, tapete, livro, biquíni, lençol. Ou seja, o gerente resolve desovar todo o estoque nas suas costas. Até a onofre.com tá fazendo liquidação de protetor solar!!!!!

E você, ainda sentindo o gosto da cidra na garganta e todo o peso da fatura do cartão de crédito que insiste em chegar, sofre consternado. Enquanto isso, como se estivesse na Faixa de Gaza, é bombardeado por news letters, malas diretas, vitrines amarelas, etiquetas vermelhas e vendedores que mais parecem soldados israelitas (ou palestinos, tantufaz) gritando Sale!

E na ânsia de ter tudo aquilo que se quer só que pela metade do preço você abraça o dilema: comer ou não comer, eis a questão? Afinal, qual a importância dos alimentos na sua vida perto daquele jogo de canecas da TokSotk?

Sim, eu sou consumista! E o pior, adoooro!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alguns @'s a mais

Todo fim de ano é assim. Família reunida, fraternidade, presentes e comida. Muuuita comida. Resultado, na melhor época do ano pra se tirar a roupa a gente sempre acrescenta umas @* a mais no corpinho. No meu caso, basta cruzar a fronteira de Goiás, ali em Itumbiara, que começa o processo de engorda do gado. De saída a melhor empada do mundo mora lá, no posto BR.

No mesmo dia (23/12) da minha chegada a Rio Verde já rola o tradicional strogo de aniver da Lara. Como e repito, claro. E no outro dia (24/12) rola o almoço jatevi com direito a parabéns. À noite: ceia! Perú, carne assada, farofa, arroz com brócolis na manteiga e passas. E dá-lhe sobremesa. No outro dia, tudo de novo com a sobra da ceia.

Chega o grande dia. A Neuza saca o panelão e coloca umas 30 bolinhas pra sapecar. Milho verde, frango, pimenta de cheiro, arroz branco e ele, o insuperável pequi! Nossa, eu achei que fosse ter um treco de tanto comer.

E seguimos numa sucessão de orgias alimentares com tudo que há de sagrado na culinária goiana (ou importado de outros estados): Pamonha, espetinho, arroz de carreteiro, churrasco, peixe assado etc.

Até que chega a hora da virada. E com ela o lombo da Neuza. Aquele que dá vontade de entrar na panela e abraçar, dormir junto, dar filhos e sustentar. Pra se ter uma idéia ele começa a ser preparado no dia anterior, dorme no tempero, e de manhã vai pra panela de ferro onde é assado por horas até ficar com uma cor e textura de fazer cair o cú da bunda. Um dia eu serei sábia o suficiente pra preparar esse lombo.

Resultado, eu chego em 2009 com vários presentes (o Papai Noel tb foi gordo), muita boavon, cansada (das 15 horas de viagem pelo Brasil), sem saber usar o hífen e com algumas @'s a mais no figurino...

*o arroba (@) antes de ser um caractere usado no seu e-mail é uma unidade de medida que equivale a uns 12kg. Lá no Goiás (e em outras cercanias) é usada pra mensurar peso de gado de corte na comercialização. É, minha gente, sertão tb é cultura.