quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Esse ano...

Eu não sei se é a época do ano, com seu clima mais que humano de boas festas e blá, blá, blá, ou se é só o calor do sertão derretendo o meu cérebro. Mas eu hoje, dia 31/12/2008, acordei meio assim, pedindo perdão pra vida. Não pelas falhas passadas, porque essa lista seria interminável e talvez imperdoável (zzzzzzz). Mas só pela vontade de me redimir.

Primeiro, a mim mesma. Por todas as fugas, sabotagens e falta de coragem. Tudo que eu podia, mas não fiz. Tudo que eu pensei, mas não materializei. E tudo que se quer planejei.

Segundo, aos que amo, pelos mesmos motivos e mais alguns. O principal é a falta de compreensão dispensada. Sei lá acho que o ser humano sempre peca por pura ignorância. Ok, alguns também pela falta de competência, mavon e traquejo social. Mas a maioria é só por ignorar que certas coisas existem lá fora. E assim pautamos o mundo por nós mesmos e insistismos em enquadrar tudo nisso.

Segundo, quero me redimir diante dos que não conheço. Ok, eu nem amo vocês, e vocês também cagam pra mim. Mas isso não significa que como igual eu não sinta uma certa responsabilidade por fazer parte de tudo isso e não fazer o suficiente pelo contexto.

Logo, aproveito o ensejo pra pensar. Porque pra mim a virada do ano simboliza a chance de refletir e recomeçar. De renovar-se pra seguir em frente. E em 2009 espero que estejamos aqui pra fazer tudo de novo, mas diferente!

Aquela coisa toda pra você e pros seus!
Ah, e mais compreensão no coração...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

De repente 30?

Um dia você acorda e está com 30 anos. E não há nada que possa fazer pra mudar isso. Mas a parte boa é que você nem mudaria se pudesse.

Você apenas olha pra traz e se vê. Aos 10, 15, 20, 25 e em todos os outros anos menos redondos que esses. E bate uma saudade, uma nostalgia e até uma ponta de melancolia.

E consegue mesmo ver tudo, de ruim e de bom. Cada erro, cada acerto, cada escolha que te trouxe até aqui. E se envergonha de si, mas também se orgulha. Com o dia que dançou quadrilha com o primeiro amor e com o tombo de bicicleta na ladeira depois de brecar com o freio da frente.

Lembra quantas vezes chorou por não se sentir suficiente para o mundo, mas também sorriu por ver que o mundo não lhe bastava. Sente uma gratidão profunda, quase feliz, por cada um desses fragmentos. Mas nem por um segundo trocaria o hoje pra retornar.

É assim que chego aos tão simbólicos 30 anos. Não de repente, porque cada ciclo foi vivido sem cortes. Meio confusa com o que virá, porém, com muito mais força e expectativa de continuar.

E agora, com a alma um pouco mais velha e o corpo mais calmo, sigo com uma vontade que só cresce e pra diferentes rumos. E constato que aqui também se sonha. E que também é bonito. E aposto comigo mesma, só pra pagar pra ver, que nunca passa.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Máquina do tempo

- Titia é seu aniversário dia 24, né?
- É sim, meu amor.
- Você vai estar aqui com a gente?
- Vou sim!
- Quantos anos você vai fazer?
- 30.
- ...(silêncio do outro aldo da linha)
- Titia, isso é muito?
- Depende, em relação a você é tempo pra caraleo (omite o caraleo, ela só tem 5 anos). Seis vezes mais que você.
- Nossa tia! Como você é velha! É mais que o vovô?
- Não, o vovô é meu pai. Ele nasceu antes de mim.
- Huum. É mais que a mamãe?
- Não, a sua mãe é minha irmã mais velha, ela nasceu primeiro tb. Tipo vc e a Fer.
- E que o titio?
- Sim, porque o titio nasceu depois de mim.
- Huuum...Vai ter bolo?
- Vai sim Flávia!
- EEEEEEE!*

*Finalmente uma resposta satisfatória.

Flávia é minha sobrinha número dois. Espanhola de sangue quente tem olhos doces e ao mesmo tempo severos e muito mais certeza do que quer do que muita gente de 30.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O fantástico mundo da busca

Se você tem blog e acompanha o Analytics deve ter acesso às palavras-chaves que o povo joga no Google e acaba caindo na sua página. Eu sempre segurei essa merenda calada , mas não dá mais. Tenho que dividir com vocês.

a mulher mais cabelo duro do mundo (fotos)
Vizualiza comigo. Nêgo entra no Google e joga isso na busca. Sério!

associação evangélica fiel até debaixo d'água
Isso parece coisa de curintxxia.

igreja evangelica pentecostal cuspe de cristo
Ok. Eu passo.

aula de puf
Vc quer aprender a fazer ou a sentar/deitar?

calcinhas celebres
Ainda bem que as minha são anônimas.

como amarrar o chocalho na canela
Pergunta pra Tieta do Agreste ou pra morena d'Angola.

como se senta com etiqueta

Pergunta pra Glória Kalil.

dragão de comodo come gente?
Ele na real gosta de carniça, mas se vc vacilar ele te come sim. Mas de boa, qual a chance de vc trombar com um?

utero emborcado
O que vem a ser um útero emborcado? Amigos médicos que lêem esse blog, dêem o parecer pls.

ivermectina piolho
Remédio pra piolho? Ju-ro que nunca escrevi a respeito.

ebós para arrumar emprego
Sugiro procurar emprego. Dizem que funciona tb.

eu meu amigo muito dificil
Difícil de lidar ou difícil de pegar? Não entendi...

aprende que com quem você mais se importa é quem mais te decpciona

Aposto que é emo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pequi é vida!



Eu adoro o mês de dezembro. Por diversos motivos. Primeiro porque é o mês do meu aniversário (24 de dezembro, anota aí mané!) e eu amo fazer aniversário. Além disso, tem natal, abraços a lot, ano novo, pausa no trampo, presentes (sempre ganhei dois), peru, lombo, champa, estrogão da tia Neuza de aniver pra Larissa etc...

Mas tem uma coisa que torna dezembro ainda mais especial: é o único mês do ano que dá pequi. Sim, pequi. Pra quem não conhece é um fruto bizarro do cerrado muuuito usado na culinária goiana. (Vai na Wikipedia, vai!)

Na verdade a época do pequi vai de setembro a fevereiro, mas eu só posso comer de fato em dezembro que é quando eu colo na Terra Média por mais tempo.

Mas como pra tudo dá-se um jeito nessa vida eu acabo de receber uma notícia incrível. O Chico Barrigudo me chamou no MSN pra dizer que já estocou uns dois litros* de pequi pra mim. Pois é, ele compra, congela e eu trago na mala quando volto pra SP.

E eu gosto tanto, mas tanto, que vocês não imaginam os micos que eu já paguei traficando pequi de um estado a outro. Foram inúmeras as vezes que fiz a retirante pobre loka e trouxe o tal no busão. Como são TODAS as horas de viagem, ele acaba descongelando e mesmo com cinco mil voltas de papel filme e um pote super isolante o cheiro dele predomina e dá-lhe: "Eeeee goiana! Me convida pro pequi!"

É, porque o pequi é bem peculiar. Não só no cheiro, como na cor e no gosto. Ele exige toda uma prática na hora de comer. Porque dentro da sua casca dura tem milhões de espinhos. Ou seja, é só pra iniciados ou sob supervisão.

Tem um amigo que jura que nós, goianos, na verdade não gostamos de pequi. "Porque ninguém gosta daquilo. A gente come porque se acostumou desde cedo e não lembra o quanto é ruim".

Bom, se for isso mesmo o condicionamento teve 100% de sucesso comigo. Desde que meu pai falou das bolinhas eu não consigo pensar em outra coisa. Até porque passo grande parte do meu dia pensando no que comer.

*não, não foi erro meu. O pequi, apesar de sólido, é vendido em litros. Juro! Se liga na latinha na banca...

PS.: hoje eu fiz a última leva do meu estoque de pequi. Ficou incrível e eu comi uns três pratos. Ai ai ai...Morri!

PS2.: Como agora tem vôo pra Rio Verde, apesar do medo que tenho, vou de avião. Será que consigo traficar pequi aereamente falando???

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sem título

Só queria dormir. Com a luz apagada e a TV desligada só o reflexo da noite e o barulho da chuva fina. Que noite incrível de quase verão. Entre bobagens, vem algo que volta e meia me encontra no travesseiro. Não, não é ruim, é apenas uma ausência que às vezes se deita ao meu lado quando tudo dorme fora de mim.

Não se trata de perda, muito menos de dor. É apenas ausência. A falta que faz sentir. Sentir o cheiro, o peso, a vontade. Abraçar a saudade, a raiva e a ansiedade. Ter medo, ciúmes e uma certeza intocável de exclusividade.

Ah, e é claro, a cumplicidade. Aquela que só dois conseguem ter. Não porque se fundem, mas porque se aprofundam. Tanto e tão, que se é capaz de mostrar-se feio cada um. E se mostra. Mesmo sabendo que o feio, feio o é de fato.

E acho que no fim das contas todas as buscas se resumem nisso. Até para os mais distraídos e os de menos boa vontade. O desejo extremo de sentir. Pra simplesmente sentir, bem lá no fundo, que está vivo. E assim deitar-se e refastelar-se na cama, mais uma vez, sentindo.

Ah! Tô meio Paulinho hoje. Aliás, ouçam!

Apego

"Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz."

Anthony de Mello