sexta-feira, 21 de março de 2008

Quero

Quero sorrir de novo
Mas tem que ser sincero
Daquele jeito visceral
Honesto e descontrolado

O riso que vem de dentro
E explode para o mundo
Como um grito desesperado
De felicidade

Quero chorar de novo
A lágrima sofrida
Da dor profunda
Pela vida esmagada

O choro de manifesto
Que clama por um alento
Na vida que se perdeu
Por alguns instantes

Quero sentir de novo
Mesmo que tenha um preço
E esse seja alto
E me jogue contra a parede

Quero ouvir de novo
A música em meus ouvidos
O som percorrer meu corpo
E tocar a minha alma

Quero e vou fazer

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pois é

Esse é um texto pois é. Simplesmente porque não tenho nada de importante pra dizer. E o "pois é" sempre cabe nessas horas.

Pensa. Você entra no elevador e uma criatura que você já viu na vida (afinal, vocês foram unidos pela CLT e trabalham no mesmo prédio) vira pra você e manda qualquer coisa que ela deveria ter guardado só pra ela. O que você faz? Olha pra cara do infeliz e manda: pois é!

Funciona. Nego fica alegrinho. E você evita dor de cabeça.

Você segue a diante e encontra um "colega". Gentilmente, você pergunta: tudo bem? E a criatura resolve desabafar todos os problema da vida dela (que não são poucos). Mas assim, ele nem é seu amigo. Só quer falar. E fala. E como fala jesuis! E o que você tem a dizer? Nada? Não! Você diz: pois é! (com cara de: meu deus que isso?)

E ao longo do seu dia você vai encontrando gente que quer discutir religião, futebol, o Lula, o aquecimento global, a vida amorosa da Adriane Galisteu, o BBB8, a influência do imperialismo norte-americano sobre datas tipicamente capitalistas como o natal, o holocaustro, existência de deus, etc, etc, etc...

E você? Você: pois éeee!

Afinal, as pessoas SÓ querem uma concordância! Só!
Esse papo de personalidade não tá com nada! Concorde com elas, sua vida se tornará beeem mais fácil...

;-)

quinta-feira, 13 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

Faz calar

Vontade de expressar
O que não vai ser compreendido

Controlar o desejo de cuspir tudo pra fora
Simplesmente porque a boca está seca
Seca de qualquer coisa boa
Que mereça ou deva ser dita.

Compartilhar o intragável
Só para martirizar.
Na ânsia de que o fazer sofrer
Livre-me do meu próprio pesar.

E depois, arrependimento,
dor e mais sofrimento.

Mais digno é o papel
Que absorve toda mágoa
E num silêncio compreensivo
Faz calar minha alma, me acalma
e me impede de espalhar a dor.

Sem métrica, dialética ou rima
Tão pouco pretensão
Sigo escrevendo em linhas pobres
Esperando que algo (me)aconteça
Ou que eu aconteça em algo.