terça-feira, 19 de junho de 2007

A vida é uma gincana

Quando eu era criança lá na Terra Média, todos os anos na semana do estudante, minha escola era dividida em duas equipes e se transformava em uma espécie de Coliseo. Só que no lugar dos gladiadores romanos, estávamos nós, os alunos.

De repente, você se vê na quadra poliesportiva (sempre quis usar essa palavra em um texto), cercado de outras vítimas. No lugar de escudos, lanças e leões, tem sacos de linhagem, colheres e ovos.

Você é obrigado a participar de atividades de gosto duvidoso como corrida do saco e do ovo na colher ou enfiar a cara num prato lotado de farinha de trigo para encontrar um maldito anel de plástico! Aliás, eu nunca entendi como podiam chamar isso de brincadeira?

Mas a pior parte era que não importava quem vencesse, a tortura era a mesma para as duas equipes. E só hoje, séculos depois, que eu consegui entender todo o contexto pedagógico por trás disso.

Eu cresci e continuo participando da gincana. Só que agora ela é um grande campeonato mundial que dura todos os dias do ano, todos os anos. Passo a vida tentando correr com um saco piniquento no pé, equilibrando ovo em colher e procurando anel em prato de farinha de trigo. E quando penso que acabou, começa tudo de novo. Independente de qual equipe saia vencedora.

E o pior é que entre torcida, suor, risos e lágrimas tenho a nítida sensação de que não vai acabar nunca...

:-S

11 comentários:

Joana disse...

É verdade que não importa quem ganhe, saem todos torturados. Mas eu tenho a impressão que os vencedores pelo menos podem achar que valeu a pena.

É só impressão mesmo, pq eu tô sempre perdendo a grande gincana da vida!

Claudio disse...

hehehe... adorei o comentário da Jo e o seu post nega! beijosss!!!

Pherdna disse...

Pelo menos eu me divertia com a tortura quando era pequeno... hoje eu só consigo ficar PUTO da vida com ela.

Renata disse...

Naquela época, na Terra Média, vc era a líder da creche!rs

Beijos

Camila disse...

E eu sempre dando um jeito de me incluir fora dessa! he!
qdo eu não consigo mesmo, brigo com uns 2 ou 3 e depois vou tomar banho pra limpar a farinha...

carolzinha disse...

naquela época (do poliesportivo) minha altura me ajudava a escapar de algumas dessas tarefas bizarras de gincana. Hj em dia ñ tem jeito, tamanho ñ é documento e vamos que vamos "brincar" todo santo dia ... ai ai ... vida duga!

bj

Greice disse...

É game mesmo! A divindade multifacetada experimentando de TUDO em cada centelha. Quebrando a cara, amando, gozando, tendo várias profissões, fazendo merdas, e por aí vai. Alguém poderá me chamar de louca ou herege, mas é isso aí. Depois de muito estudarem, chegarão a essa triste ou FELIZ conclusão. E não acho chato não, acho legal. Não vejo a hora de acabar essa Fase e passar pra próxima, bem longe dos chineses que arrancam peles de animais vivos. Numa galáxia bem distante... onde as gincanas sejam diferentes destas que eu TAMBÉM experimentei, kkk

disse...

nossa Lá. ler isso especialmente hoje me deu mais vontade de chorar. estou menstruada e já sabe né. picos de irritação e sensibilidade. parece que em alguns dias, a gente faz questão de buscar que o saco pinique mais, que a farinha lote mais a cara e que as pessoas riam mais de nós, só pra sentirmos pena de nós mesmos, por saber que a grande batalha é não precisar dessa maratona.
,)

Marcos Laercio disse...

olha..
eu sempre fui uma bola de gordo quando eu era criança, logo:
1. eu nao tinha coordenaçao motora suficiente pra equilibrar o ovo;
2. o saco de linhagem nunca entrava em mim;
3. eu adorava comer farinha - e usualmente acabava esbaforido engolindo o anel de plastico - mas td bem, eu pelo menos comia farinha.
Enfim....moral pedagogica?
Agora eu entendo pq quando eu to com um problema, sinto uma necessidade ensandecida de comer um prato de farinha de trigo...E Salve a pedagogia moderna!

Marcos Laercio disse...

Agora falando sério...
Criança se diverte com tao pouco, nao?
Enfim, a vida é isso, um mar de torturas com problemas a serem resolvidos...Mas eu acho que os problemas sao sempre proporcionais a nossa força - e sempre, SEMPRE, eles servem pra gente crescer nessa jornada maluca terrena...
beijos a todos e bom final de semana!

GUILHERME disse...

ahhh.. mas vai dizer que nao é bom a caça ao tesouro, hein? hein? hehehe

beijao