terça-feira, 22 de maio de 2007

Noite

Tento tragar a noite
Como se fosse mesmo um cigarro
Na ância de fugir dela
A cada gole de fumaça

Abraço a realidade escura com ternura
Mas, ao mesmo tempo, com a repulsa
De quem fecha os olhos pra dormir
Mas não consegue

Vivo conforme o predestinado
Sem saber, se quer, se destino existe
E ainda assim, tento prever o que virá
Em vão

Até que o dia, insistentemente, mata a noite
Trazendo com ele o recomeço
Mas também, mais do mesmo

Só resta-me abraçá-lo
E salpicar em mim mais esperança
Coragem e um pouco de muito medo

Para continuar engolindo a vida,
Tragando a noite e pondo pra fora a cada baforada
Aquilo que odeio..

;-)

8 comentários:

Camila disse...

O frio chegou e com ele, a noite dos que não conseguem dormir.
Só queria fechar os olhos.

cógin disse...

nega fina!

Tharso disse...

"canibais de nós mesmos antes que a terra nos coma" (rs)

Pherdna disse...

Caráleo, mano!

Joana disse...

Que orgulho da minha gêmea poetisa!

"Fumar é queimar aos poucos as ilusões perdidas" Mário Quintana

tharso disse...

... e eu que nunca soube que o velho Quintana era chegado numa erva.

Greice disse...

A resposta de um dos versos é: um grande destino que vai sendo traçado fora de um tempo linear, composto de diversos planos de ocorrência. O filme DEJAVU com o Denzel é uma boa pedida pra começar/retomar essa reflexão. E se algum dia houver uma antologia com tema cigarro e afins, vou inscrever meu Maria Fumaça com esse, pois são muito irmãos! ;-)

Carolina disse...

..que inspiração hein .. tô orgulhosa! :)

bjo